Pets como coelhos e roedores podem parecer resistentes às mudanças de temperatura, mas a realidade é bem diferente. Sensíveis ao frio intenso e ao calor extremo, esses pequenos animais podem sofrer complicações graves quando expostos a condições inadequadas, muitas vezes sem demonstrar sinais evidentes de desconforto.
Em entrevista ao Portal Primeira Página, a médica veterinária especializada em animais exóticos, Penélope Leite, da Pró Exotics, explicou quais cuidados os tutores devem adotar para proteger seus pets durante períodos de temperaturas extremas.
“Acho que o principal é não subestimar o animalzinho. Muitas vezes ele está sentindo frio ou calor, mas não demonstra da forma que outros animais demonstrariam. Eles sentem, sim. O tutor precisa manter um ambiente adequado e fazer esse controle de maneira preventiva”, alerta a veterinária.
❄️ Frio intenso: manter dentro de casa pode fazer toda a diferença
Durante o inverno, uma das principais recomendações é evitar que coelhos e roedores fiquem expostos ao vento e às baixas temperaturas, especialmente durante a noite e nas primeiras horas da manhã.
Segundo Penélope, o ideal é que as gaiolas e recintos permaneçam dentro da residência, em locais protegidos e que permitam o acompanhamento frequente do tutor. Além disso, ela recomenda reforçar o conforto térmico dos recintos.
“No caso das gaiolas, a gente pede para colocar mais paninhos, mais suportes para esses animaizinhos. Os coelhos e alguns roedores conseguem se aquecer relativamente bem, especialmente quando têm acesso a feno e materiais adequados para se acomodar.”
🎥 VÍDEO: Onde posicionar a gaiola ou recinto durante o frio
Atenção aos pets mais sensíveis
Algumas espécies exigem cuidados extras. É o caso dos animais sem pelos, como determinados tipos de hamster e outros roedores exóticos.
“Dependendo do animalzinho, como os que não têm pelos, a gente pode precisar colocar roupinhas ou até utilizar aquecedores de ambiente, porque eles são mais sensíveis ao frio e precisam de uma atenção maior.”
Outro ponto importante é reforçar a alimentação durante os meses mais frios, oferecendo maior variedade de verduras, bastante feno e ração de qualidade para que os pets fiquem nutricionalmente fortalecidos.
O perigo invisível no frio
Um dos maiores desafios para os tutores é que coelhos e roedores dificilmente demonstram quando algo não vai bem. Segundo a veterinária, muitas doenças podem permanecer ocultas e serem agravadas pelo frio.
“Tanto os coelhos quanto os roedores escondem muito os sinais clínicos. Às vezes, eles já estão com alguma enfermidade e o frio acaba sendo o fator que agrava a situação e faz com que o problema apareça.”
Quando a exposição ao frio é prolongada, os riscos podem ser sérios.
“Animais expostos a temperaturas muito baixas podem chegar à clínica debilitados e com a temperatura corporal reduzida. Em alguns casos conseguimos reverter, mas infelizmente nem sempre.”
🌡️ Calor extremo também é emergência
Se o inverno exige cuidados, as ondas de calor não ficam atrás. Coelhos e roedores têm grande dificuldade para dissipar o calor corporal e podem desenvolver rapidamente quadros de desidratação e hipertermia.
Por isso, manter água fresca sempre disponível é indispensável. A veterinária também indica alternativas simples para ajudar os pets a enfrentar os dias mais quentes.
“Dependendo da situação, podemos colocar travessinhas com areia de quartzo para eles se refrescarem. Também é possível usar garrafas congeladas envolvidas em panos, criando pontos mais frescos para o animal escolher onde ficar.”
🎥 VÍDEO: Como refrescar coelhos e roedores durante dias muito quentes
Sintomas que exigem atenção imediata
Os tutores devem ficar atentos ao comportamento dos pets, tanto durante o frio quanto no calor.
Sinais de alerta no calor:
Respiração ofegante;
Consumo alterado de água;
Fraqueza;
Letargia;
Comportamento incomum.
“Animais expostos ao calor excessivo podem chegar desidratados, com temperatura corporal elevada e respiração bastante ofegante. São situações que consideramos emergenciais”, alerta a médica.
Sinais de alerta no frio:
Redução significativa da atividade;
Animal mais parado do que o habitual;
Sensação de corpo frio ao toque;
Falta de apetite.
“Se perceber que a atividade diminuiu muito ou que ele não está mantendo sua temperatura corporal habitual, o ideal é procurar atendimento antes que o quadro se agrave”, explicou Penélope.
Prevenção é o melhor cuidado
Embora pequenos, coelhos e roedores são extremamente sensíveis às variações climáticas. A recomendação dos especialistas é simples: manter os pets em ambientes protegidos, supervisionar frequentemente o comportamento deles e agir antes que os sinais de sofrimento apareçam.
“Eles sentem frio e calor como qualquer outro animal. A diferença é que muitas vezes não demonstram. Por isso, o tutor precisa estar atento e fazer esse cuidado preventivo todos os dias”, finaliza Penélope Leite.
Penélope alerta que coelhos e roedores não demonstram frio e calor da mesma forma que outros pets. (Foto: Thauana Luares)
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