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Síndrome do Pavio Curto – o que é isso?

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Paciência é conceituada pelos nossos dicionários como “calma, tolerância e resignação”, uma das grandes virtudes da humanidade. Infelizmente, paciência é hoje uma palavra quase banida do uso humano, apesar de permanecer nos dicionários, é um vocábulo que hoje praticamente inexiste, não o praticamos desde que despertamos até o momento de adormecer.

Apesar disso, paciência não deixa de ser uma palavra bonita, que nos remete a um considerável grau de empatia, altruísmo, mas, acima de tudo, autocontrole e consideração com o outro, mesmo que este se torne inoportuno e provocativo. Paciência é um exercício de sanidade mental, mas não significa que a impaciência represente sempre a presença de insanidade.

A falta de paciência, por si só, apesar de não ser um comportamento sadio, geralmente não traz grandes consequências, quando se limita a um mero aborrecimento. O problema torna-se grave quando a impaciência vem acompanhada de explosividade verbal ou física. Aqueles que agem assim são conhecidos como pessoas de “pavio curto” ou “síndrome do pavio curto”, uma denominação popular e não um termo médico utilizado pela psiquiatria, até porque a explosividade pode ser uma manifestação comportamental presente em diversas patologias psiquiátricas, como também um traço da personalidade de mentes aparentemente sadias.

Na maioria das vezes, a chamada síndrome do pavio curto está relacionada a um transtorno da personalidade denominado de Transtorno Explosivo Intermitente (TEI), em que aqueles diagnosticados com este transtorno apresentam reações de raiva de grande intensidade, visivelmente desproporcionais ao fato ou estímulo que as provocou. Nesses casos, as explosões de raiva não são premeditadas, ocorrem súbita e impulsivamente, sem que o indivíduo nessa condição consiga pensar nas possíveis consequências de seus atos.

A raiva dessas pessoas pode manifestar-se desde insultos, ameaças até agressões físicas e destruição de propriedades. Minutos depois do episódio ocorrido, surgem sentimentos de culpa, arrependimento e vergonha dos atos por elas praticados.

Outros transtornos psiquiátricos podem cursar com explosividade que, no entanto, não fazem parte dos padrões de comportamento ao longo da vida, como no caso da fase maníaca do transtorno bipolar, quando há oscilação entre a alegria intensa e a irritabilidade fácil, com falta de controle dos impulsos agressivos. Estes somem completamente quando a estabilidade do humor é alcançada.

Outro quadro psiquiátrico em que a explosividade pode aparecer é no transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), quando a pessoa com este diagnóstico frustra-se por não conseguir concluir tarefas, exteriorizando sua frustração em comportamento explosivo.

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é identificado em pessoas com grande instabilidade emocional que têm medo de abandono e rejeição. Indivíduos com TPB podem contar com episódios de explosividade provocados por seus conflitos interpessoais.

Conhecida popularmente como “síndrome do pavio curto”, a explosividade pode ser sinal de um problema de saúde mental. (Foto: Ilustrativa)

Outros transtornos psiquiátricos podem cursar com episódios de explosividade, mas que são pontuais, dentro de episódios críticos.

A explosividade também pode ser de origem orgânica, nas doenças neurológicas ou neuropsiquiátricas, como nas lesões cerebrais, nas demências e outros quadros.

A explosividade pode estar presente em outras situações, como o estresse grave, a privação severa do sono, o abuso ou abstinência de álcool e drogas, efeito colateral de alguns medicamentos. A alteração dos hormônios tireoidianos, femininos, masculinos e da glicose também podem provocar comportamento explosivo.

Independente de todas essas causas, o Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) é o problema psiquiátrico em que a explosividade está mais presente e onde há maior necessidade de atenção e cuidados. O TEI não tem cura, mas tem tratamento. A psicoterapia está sempre indicada e na maioria dos casos há necessidade de tratamento psiquiátrico e uso de medicamentos.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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