A defesa do ex-deputado estadual Neno Razuk afirmou nesta segunda-feira (3) que ele pretendia se apresentar voluntariamente à Justiça antes de ser entregue à Polícia Federal por autoridades bolivianas.
Em nota enviada à imprensa, a defesa afirmou que Neno Razuk entrou na Bolívia em 1º de julho de 2026, antes da expedição do mandado de prisão, e que só tomou conhecimento da ordem judicial por meio das notícias divulgadas pela imprensa.
Segundo a defesa, a decisão de não retornar imediatamente ao Brasil ocorreu porque ainda havia recursos pendentes de julgamento na Justiça Eleitoral, que poderiam reverter a decisão que resultou na perda do mandato parlamentar, fundamento utilizado para a decretação da prisão.
Ainda conforme os advogados, após o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) rejeitar os recursos e ser negada uma liminar em habeas corpus, Neno teria decidido cumprir a ordem judicial de forma espontânea. A defesa também alega que informou formalmente ao Judiciário a intenção de apresentação voluntária, e solicitou a definição das condições, pedido que foi deferido.
A nota informa, entretanto, que, antes de voltar para o território brasileiro, o ex-deputado foi abordado por autoridades estrangeiras, que realizaram sua entrega à Polícia Federal, impedindo que a apresentação ocorresse da forma inicialmente planejada.
Com o retorno ao Brasil, a defesa informou que adotará medidas judiciais para solicitar a revogação da prisão preventiva. Os advogados argumentam que não existem mais os requisitos que justificariam a manutenção da medida cautelar e afirmam que irão demonstrar a inocência do ex-parlamentar durante o andamento do processo.
Neno Razuk foi preso na Bolívia
Conforme a PF, a prisão foi realizada no último domingo (2) em uma ação conjunta realizada com a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO/MS) e com a Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcoticos (FELCN) da Bolívia, na região de fronteira Brasil/Bolívia.
A Justiça decretou a prisão do ex-deputado no dia 8 de julho de 2026 por envolvimento em organização criminosa.
A ordem judicial deu início à sentença definida pelo juiz da 4ª Vara Criminal em 15 de dezembro de 2025, dia em que Neno Razuk foi condenado a 15 anos e sete meses de prisão por integrar um grupo criminoso com o objetivo de assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande.
Na decisão, deferida pelo juiz José Henrique Kaster, além dos anos de prisão, Neno foi sentenciado à perda do mandato eletivo e à interdição para exercício de cargo público pelo prazo de oito anos. Desde a expedição do mandado, no entanto, o ex-parlamentar não teria sido localizado pelas autoridades.
Leia a nota completa
“A defesa de Roberto Razuk Filho (Neno Razuk) vem a público prestar os seguintes esclarecimentos acerca das informações recentemente divulgadas sobre o cumprimento do mandado de prisão expedido em seu desfavor:
Roberto Razuk Filho ingressou na Bolívia em 1º de julho de 2026, em momento anterior à expedição do mandado de prisão, e somente tomou conhecimento da decretação de sua prisão por meio das notícias veiculadas pela imprensa.
A ausência de apresentação imediata decorreu da existência de recursos ainda pendentes de julgamento perante a Justiça Eleitoral, cujo eventual acolhimento poderia reverter a decisão que culminou na perda de seu mandato parlamentar, circunstância diretamente relacionada aos fundamentos da decretação da prisão.
Após o julgamento desfavorável dos recursos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, bem como o indeferimento da medida liminar no habeas corpus impetrado por sua defesa, Roberto Razuk Filho decidiu cumprir espontaneamente a ordem judicial, manifestando formalmente, nos autos, sua intenção de se apresentar às autoridades competentes.
A defesa requereu ao Juízo competente a definição das condições para a apresentação voluntária, pedido que foi devidamente deferido. Entretanto, antes mesmo de seu retorno ao Brasil, diversos veículos de comunicação passaram a noticiar sua iminente entrega às autoridades.
Antes de reingressar em território nacional, contudo, Roberto Razuk Filho foi abordado por autoridades estrangeiras, que procederam à sua entrega à Polícia Federal, impossibilitando que a apresentação voluntária ocorresse nos moldes previamente requeridos e autorizados pelo Poder Judiciário.
Com seu retorno ao Brasil, a defesa adotará todas as medidas judiciais cabíveis para demonstrar a inexistência dos requisitos que justifiquem a manutenção da prisão preventiva, especialmente diante da ausência de contemporaneidade dos fundamentos utilizados para sua decretação, buscando o restabelecimento de sua liberdade, sem prejuízo da demonstração de sua inocência no curso do devido processo legal.
A defesa ressalta, por fim, que a intenção de apresentação voluntária foi previamente comunicada ao Poder Judiciário, formalizada nos autos e devidamente documentada, evidenciando a disposição do acusado em se submeter às determinações judiciais.
Ricardo Souza Pereira
Roberto Razuk Neto
Advogados de Defesa”.

