segunda-feira, setembro 28, 2026

Itamaraty dispensa embaixador da Argentina no Brasil e rebaixa relação com país vizinho

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A medida, que inclui também a permanência no Brasil de Julio Bitelli, embaixador brasileiro na Argentina, é uma resposta aos ataques do presidente Javier Milei a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos dias. Esse estado de coisas será mantido enquanto durem as ofensas do ultraliberal, dizem membros do governo.

O que muda na relação diplomática entre Brasil e Argentina?

Segundo a reportagem apurou, Raimondi foi convocado ao Itamaraty, onde recebeu a informação de que poderia voltar para casa. Não se trata de uma expulsão do embaixador. A medida está um grau abaixo dessa ação diplomática. Ou seja, ele não será considerado persona non grata, tampouco será consultado para a relação entre os dois países a partir de agora. Raimondi não tem prazo para deixar o Brasil.

A informação inicial de que Bitelli, em Brasília desde 26 de julho, não voltaria a Buenos Aires foi dada pelo jornal argentino Clarín e confirmada à reportagem. O governo decidiu manter apenas um encarregado de negócios enquanto persistirem os ataques de Milei.

Trata-se da mais grave crise em décadas com a Argentina, um dos principais parceiros comerciais e aliado histórico do Brasil.

Segundo funcionários do governo informaram à reportagem, a ação do governo brasileiro em relação ao embaixador argentino tem grau semelhante à decisão de Washington de revogar o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. Ela não foi expulsa e pode permanecer no país, embora não possa mais desempenhar suas funções normalmente.

Como a Argentina reagiu à decisão do Brasil?

Horas após a medida vir a público, a chancelaria argentina afirmou, em comunicado, que “lamenta a decisão [do Brasil] de continuar se isolando do resto da região por questões puramente ideológicas”.

“Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse critério é o que a Argentina sustenta hoje”, afirmou a pasta.

Como começou a crise entre Brasil e Argentina?

O conflito com a Argentina começou há pouco mais de uma semana, quando Milei atacou autoridades brasileiras durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo.

Em um discurso inflamado, o presidente argentino se referiu a Lula como ladrão e presidiário e chamou de “lixo careca” o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, que vetou uma visita do ultraliberal a Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília.

No dia seguinte, o Brasil reagiu chamando Raimondi para prestar esclarecimentos e convocando Bitelli de volta a Brasília. A crise continuou nos dias seguintes, com o ministro Dario Durigan (Fazenda) chamando Milei de “palhaço” e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) classificando o argentino como “caricatura patética” e “puxa-saco de Donald Trump”.

Lula, por sua vez, escolheu ironizar o homólogo. “Quem é esse cara?”, perguntou a jornalistas na semana passada, ao ser questionado sobre a declaração de Milei.

Milei voltou a atacar Lula em nova entrevista

Membros do governo argentino vinham tentando minimizar a situação ao longo da semana.

“Do nosso lado, não há nenhuma chance de romper relações. Não estamos levando isso para o nível institucional”, afirmou o chanceler argentino, Pablo Quirno, a uma rádio na quarta-feira (29), ao ser questionado sobre as declarações do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que havia classificado o episódio como lamentável na véspera.

No domingo (2), porém, Milei renovou os ataques em entrevista à LN+, emissora do jornal La Nación.

“O que é agressivo é quando alguém rouba. É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, afirmou ao ser questionado sobre o episódio. “Falam de interferência política na região. Se há alguém que interfere politicamente na região é Lula, contaminando-a por completo com as ideias imundas do socialismo.”

E continuou: “O pior é que me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, Lula se sente atacado? Ele é um vigarista e um ladrão. É um condenado. Saiu por meio de um recurso administrativo. Eu fui ao Brasil e não ataquei os brasileiros; falei em favor dos brasileiros. Falei sobre Lula, o corrupto, o condenado, e sobre o juiz Alexandre de Moraes, que negou a visita a Bolsonaro”.
 
 

Presidente argentino chamou o petista de “ladrão” e “corrupto” em nova entrevista. Governo brasileiro convocou o embaixador da Argentina e classificou o episódio como grave e sem precedentes

| 06:10 – 03/08/2026

 

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