As partículas presentes na fumaça de queimadas e da poluição podem chegar às regiões mais profundas dos pulmões, alcançar a circulação sanguínea e afetar outros órgãos do corpo. O alerta é do pneumologista Clóvis Botelho, que explica que os riscos da exposição vão além da irritação nos olhos, nariz e garganta.
A fumaça é formada por uma mistura de partículas e gases. Segundo o especialista, o tamanho dessas partículas influencia diretamente até onde elas conseguem chegar no sistema respiratório.
“As grandes moléculas que ficam em suspensão aérea param nas vias aéreas superiores, irritando o nariz, garganta, traqueia e, às vezes, alguns brônquios”, explica o pneumologista.
Já as partículas mais finas conseguem avançar até os alvéolos, estruturas dos pulmões responsáveis pelas trocas gasosas. É o caso do chamado material particulado MP2,5.
“O material particulado, o que a gente chama de MP2,5, é mais perigoso. Ele chega à intimidade dos alvéolos pulmonares e pode ser absorvido para a circulação e circular pelo nosso organismo, afetando diversos órgãos”, afirma Botelho.
Monóxido de carbono pode comprometer oxigenação
Além das partículas, a fumaça também carrega gases tóxicos. Entre eles, o pneumologista chama atenção principalmente para o monóxido de carbono, que pode interferir no transporte de oxigênio pelo sangue.
“O principal deles, e que acredito ser o mais perigoso para o nosso organismo, é o monóxido de carbono. Ao entrar nos alvéolos, ele compete com o oxigênio”, explica.
Segundo Botelho, essa competição acontece porque a hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio no sangue, também se liga ao monóxido de carbono.
“A hemoglobina, ao invés de captar o oxigênio, que nós precisamos, faz a captação do monóxido de carbono. Então, deixa de circular oxigênio para os nossos tecidos. Isso é altamente tóxico para o nosso organismo”, declara.

Além do monóxido de carbono, o especialista cita outros gases presentes na poluição, como óxidos de nitrogênio, compostos de enxofre e ozônio. Partículas muito pequenas também podem carregar metais presentes no ar.
Crianças e idosos são mais sensíveis
Crianças, idosos e pessoas que já convivem com doenças respiratórias podem ser mais vulneráveis aos efeitos da fumaça. No entanto, pessoas sem problemas de saúde também podem sofrer consequências, principalmente quando permanecem por muitas horas em locais com alta concentração de poluentes.
Por isso, períodos de queimadas e de maior concentração de fumaça no ar exigem atenção aos sinais do organismo, especialmente alterações na respiração e irritações persistentes nas vias respiratórias.

