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Rifas, carros de luxo e lavagem de dinheiro: quem é Eduardo Razuk, influenciador preso em operação

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O influenciador digital Eduardo Rezende da Silva Razuk, mais conhecido como Eduardo Razuk, voltou às manchetes nesta terça-feira (18) como alvo de uma operação contra lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de loterias, mas essa não é a primeira vez que as rifas de carros que fizeram sua fama são apontadas como ilícitas pela polícia.

Em 2021, o sorteio de um Ford Mustang revelou um esquema de lavagem de dinheiro organizado por Eduardo e pelo irmão, também preso nesta terça-feira, Rafael Rezende da Silva Razuk.
Na época, os seguidores precisavam comprar uma das 20 mil cotas de R$ 50 oferecidas pelo dono do canal Backstage. O valor da rifa somava R$ 1 milhão.

O problema era que o dinheiro ia direto para a conta bancária de uma empresa de construção civil e coleta e tratamento de resíduos, registrada em nome do irmão do Eduardo, que não tinha autorização para efetuar atividades do tipo no país.

Conforme apurado pela reportagem, essa empresa hoje está inativa, mas Rafael aparece como sócio de outras duas: uma com sede em São Paulo, com atividade voltada a roupas e acessórios, e a segunda “de produção cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão”, com matriz em João Pessoa, na Paraíba, a Razuk Vault. Aberta em setembro de 2025, a empresa tem capital social de R$ 1,5 milhão.

Rafael e Eduardo em visita a construção no Vilas Boas (Foto: Reprodução)

Nos sorteios recentes, Eduardo Razuk utilizava justamente a Loteria do Estado da Paraíba para legalizar as rifas. Como parte da operação de hoje, a polícia prendeu o empresário Cícero Fabiano Melo Silva, que atua no ramo de loterias no estado paraibano.

Segundo o delegado responsável pela investigação, Pedro Cunha, desde 2019, Eduardo promovia rifas ilegais e vendia cotas pelas redes sociais, acumulando valores multimilionários. A partir de 2025, para tentar dar um “falso ar de legalidade” aos sorteios e sofisticar a lavagem de dinheiro, ele se associou a duas empresas: no Rio de Janeiro e na Paraíba.

A empresa do Rio de Janeiro intermediava o contato entre ele e a empresa da Paraíba para obter autorizações para os sorteios; ainda assim, a situação continuava ilegal.

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Histórico antigo

Eduardo chegou a ser preso em 17 de abril de 2020 por crime de receptação. Na época, ele já era investigado por postar vídeo considerado deboche criminoso ao toque de recolher na pandemia. Nas gravações, já excluídas, ele sai de carro pelas ruas vazias de Campo Grande, aparentemente em alta velocidade, e afirmava não ver agentes de segurança para impedir.

Em outubro de 2020, perícia comprovou adulteração de forma irregular em três veículos de luxo que pertenciam a ele. Relatório do Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) indicou que, devido às modificações, os carros se tornaram suscetíveis a emitir gases altamente poluentes, o que configurou crime ambiental.

Os modelos testados na época foram uma BMW 118i, um Mini John Cooper Works e uma caminhonete Amarok Extreme.

Razuk sendo preso nesta terça-feira em Cmapo Grande. (Foto: Reprodução/ Gabi Cenciarelli)

Polêmicas recentes e exposição

Mas a “ficha de polêmicas” de Eduardo não para por aí.

Os crimes investigados pela operação “Rodas da Sorte” eram expostos diariamente nos canais de Razuk.

O principal meio de comunicação do influenciador é o YouTube. No canal, com quase um milhão de seguidores, ele exibe os carros e detalhes da vida pessoal.

Os endereços que hoje foram alvo da polícia eram bem conhecidos de quem acompanha o influenciador. O galpão onde 22 carros foram apreendidos, localizado no bairro Vilas Boas, foi “inaugurado” em julho deste ano em um evento.

Diariamente, Eduardo, o irmão e os amigos gravavam conteúdos no local. Exibiam carros importados, em valores de quase R$ 1 milhão cada um, e ofereciam as rifas aos seguidores.

Nas imagens divulgadas no canal, é possível ver uma BMW M4 CS, lançado no Brasil por cerca de R$ 1,4 milhão, uma BMW M5 Competition, que tem preço estimado em aproximadamente R$ 1 milhão, uma Porsche 911 Turbo e um Volkswagen Arteon, que sequer é vendido no Brasil.

No último vídeo publicado, horas antes da prisão, Eduardo conta que chegou de viagem e encontrou no galpão um Volkswagen Golf GTI MK8.5 americano, batizado de Autobahn.

Conforme apuração do Primeira Página, Eduardo estava em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e voltou a Campo Grande nesta madrugada, horas antes de ser preso. Os veículos apreendidos pela polícia, juntos, foram avaliados em mais de R$ 100 milhões.

Enriquecimento

Além das viagens exibidas no Instagram e dos carros de valores milionários, Eduardo fazia questão de mostrar outros bens. O mais recente deles, uma mansão ainda em construção no Vilas Boas, a poucos passos do galpão dos carros.

Para a obra, Eduardo Razuk comprou quatro terrenos da região e com frequência compartilhava o projeto com os seguidores. “Vão caber quatro carros dentro da casa”.

Nos vídeos, Razuk criticava a casa dos vizinhos sugeria pedir para os donos reformarem as fachadas para a rua ficar “instagramável”.

“Vamos fazer uma arte naquele muro ali, uma onça dirigindo um GTI. Podia ver com eles se eles não querem rebocar aquele muro ali, porque ele tá feio. Chega perto dele tá tudo quebrado. Se precisar, a gente arruma. […] Vamos ter que ver com essas duas casas aqui, que estão judiado, a frente das duas casas, vamos pintar a casa deles. Vamos ver o que a gente consegue fazer. […] A gente que faz um vídeo aqui tem que estar bonito”.

Advogado se manifesta

A defesa dos investigados informou que ainda não teve acesso ao inquérito policial e, por isso, desconhece quais crimes estão sendo apurados e os motivos que levaram à operação.

Segundo o advogado responsável pelo caso, as informações disponíveis até o momento indicam que os sorteios e as movimentações financeiras realizadas pelos envolvidos ocorreram dentro da legalidade. Ele informou que deve se manifestar novamente após a análise dos documentos da investigação.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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