A última mensagem enviada pelo caminhoneiro Alexandre de Freitas à família agora ganhou outro significado depois da queda da ponte sobre o Rio Taquari, na MS-168. Na mensagem, o motorista do caminhão aparece animado e pergunta à filha como estão os netos.
“Bom dia, e aí, como estão as coisas aí? Tudo bem? Cadê meus netos queridos?”, pergunta Alexandre na mensagem de voz em tom animado, sem saber que seria a última lembrança deixada à filha.
Bruna de Freitas, mora no interior de São Paulo e conta que mesmo com a distância, o pai era muito presente em sua vida. Ela o descreve como um homem alegre, brincalhão e muito ligado à família, como é possível sentir no áudio (disponível acima).
“O meu pai era uma pessoa muito feliz, um homem cheio de vida, muito brincalhão E um avô maravilhoso que amava os netos muito e ele pôde conhecer os netos em vida.”
Além da família, a carreira na estrada ocupou uma grande parte da trajetória do profissional. Ele era caminhoneiro havia mais de 30 anos e trabalhava na mesma empresa por quase duas décadas.
A irmã do caminhoneiro, Alessandra de Freitas, conta que ele gostava da profissão e tinha uma relação especial com o caminhão e com a rotina nas estradas.
“Ele amava a profissão, amava o caminhão, amava a estrada e amava a empresa, onde ele trabalhava por quase 20 anos.”
Ponte caiu durante passagem de caminhoneiro
Alexandre morreu na manhã da última quinta-feira (13), quando parte da ponte sobre o Rio Taquari caiu enquanto o caminhão que ele conduzia passava. Após a queda, o veículo caiu no rio e ficou submerso.

A ponte havia sido construída em 2009 eo trecho fica na MS-168, em uma região rural e isolada de Corumbá, entre as áreas pantaneiras do Paiaguás e da Nhecolândia.
Corpo de motorista morto no Rio Taquari é velado em MS
O corpo do caminhoneiro foi localizado e retirado por mergulhadores do Corpo de Bombeiros. O resgate precisou ser feito pelo parabrisa, uma das portas estava presa no fundo do rio e a outra tinha escombros da ponte sobre ela.
Segurança nas pontes
Antes de ser liberada para o tráfego, uma ponte precisa atender a critérios de segurança, resistência e capacidade de carga. Os materiais utilizados na construção também passam por testes para verificar, entre outros pontos, a resistência às forças às quais serão submetidos.
Porém, a responsabilidade pela estrutura não termina depois que a obra é entregue. Segundo o engenheiro civil Sidiclei Formagini, conselheiro do Crea-MS, o órgão responsável pela ponte deve realizar vistorias periódicas.

“Cabe ao órgão que é responsável pela ponte fazer manutenção, fazer vistoria periódica e levantar se existem danos, avarias, alguma coisa nessa edificação.”
Se problemas forem identificados, são necessários reparos para recuperar as condições de funcionamento e segurança da ponte.
Nas rodovias estaduais, a manutenção é de responsabilidade da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).
Condições do local também influenciam
O professor Matheus Piazzalunga Neivock, do curso técnico em Eletromecânica do IFMS, explica que as condições ambientais do local precisam ser consideradas ainda na etapa de projeto.
Segundo ele, características como um terreno pantanoso ou a presença de água podem exigir soluções específicas para evitar problemas futuros na estrutura.

“Se você vai construir, por exemplo, num terreno pantanoso, num local onde a água é salgada, claro que existem tecnologias para que você consiga combater isso, mas se você não contemplar na hora do projeto, fatalmente, algum problema maior lá na frente vai aparecer”, explica.

