domingo, novembro 1, 2026

Focos de calor mais que dobram em agosto em MT; fumaça pode atingir o sangue, diz especialista

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Os focos de calor mais que dobraram em Mato Grosso nas primeiras semanas de agosto. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o estado registrou 2.036 ocorrências entre os dias 1º e 19 deste mês, contra 945 no mesmo período de 2025. O aumento foi de 115,45%.

A combinação entre baixa umidade, temperaturas elevadas e vegetação seca favorece o avanço do fogo e a dispersão da fumaça. Segundo o pneumologista Lucas Bello, as partículas liberadas pelas queimadas podem percorrer centenas de quilômetros e afetar até pessoas que estejam longe das áreas atingidas.

O médico explica que a fumaça é formada por gases tóxicos e material particulado, capaz de penetrar profundamente nas vias respiratórias. As partículas menores podem ultrapassar a barreira dos pulmões e alcançar a corrente sanguínea.

“Muitas dessas partículas têm um tamanho muito pequeno e, quando inaladas, conseguem chegar à intimidade dos pulmões, ultrapassar essa barreira e cair na corrente circulatória. Ou seja, podem chegar ao sangue e se espalhar pelo corpo”, explicou Lucas Bello.

De acordo com o especialista, a exposição à fumaça está relacionada não apenas ao agravamento de doenças respiratórias, mas também ao aumento do risco de problemas cardiovasculares.

Fumaça pode viajar por centenas de quilômetros

A fumaça não precisa estar concentrada nas proximidades de um incêndio para provocar danos. Dependendo das condições climáticas e da direção dos ventos, os poluentes podem ser levados para cidades distantes.

“Essa fumaça pode levar esses componentes a uma distância muito grande, a centenas de quilômetros do local onde aconteceu a queimada, e provocar danos nas pessoas que inalarem esse material”, afirmou o pneumologista.

Fumaça pode viajar quilômetros e atingir o sangue, alerta médico. - Foto: TVCA

Entre os efeitos imediatos estão ardência nos olhos, irritação no nariz e na garganta, tosse, chiado no peito e dificuldade para respirar. Pessoas com doenças respiratórias preexistentes também podem apresentar crises de falta de ar.

Crianças, idosos e pessoas com asma, bronquite ou outras doenças respiratórias formam o grupo mais vulnerável. A recomendação é manter o corpo hidratado, lavar os olhos e o nariz com soro fisiológico e evitar atividades ao ar livre nos períodos de maior concentração de fumaça.

“Beber bastante água ajuda na produção do muco presente nas vias respiratórias, que tem um efeito protetor. A lavagem dos olhos e do nariz com soro fisiológico também ajuda”, orientou Lucas Bello.

Incêndios atingiram propriedades rurais

Neste mês, um incêndio em Nova Santa Helena atingiu aproximadamente 20 mil hectares de pastagens e reservas florestais. O combate durou mais de duas semanas, e a fumaça se espalhou por municípios da região.

Em Jangada, outro incêndio avançou entre propriedades rurais durante quase uma semana. Segundo o Corpo de Bombeiros, as chamas foram controladas, mas as equipes permanecem no local para fazer o rescaldo e monitorar possíveis novos focos.

“Em razão das condições climáticas, o incêndio pode reacender. Por isso, é necessário não apenas apagar, mas também fazer o rescaldo e o monitoramento para que o fogo não volte”, explicou o comandante Heitor Alves de Souza.

O prefeito de Jangada relatou que propriedades foram atingidas e que animais e moradores sofreram queimaduras. Ele pediu reforços para ajudar as famílias afetadas e ampliar o combate ao incêndio.

Uso do fogo está proibido em MT

Nas áreas urbanas de Mato Grosso, provocar queimadas é proibido durante todo o ano. Na zona rural, o período proibitivo para uso do fogo começou em 1º de julho e seguirá até 30 de novembro.

Mesmo com a proibição, o Corpo de Bombeiros registrou aumento nas ocorrências. A preocupação é que as condições climáticas tornem o combate aos incêndios ainda mais difícil durante os próximos meses.

Prefeitos e representantes dos governos estadual e federal se reuniram em Cuiabá para discutir o risco de incêndios, os possíveis efeitos do El Niño e medidas de prevenção. Segundo a Defesa Civil, Mato Grosso poderá enfrentar uma estiagem mais severa, o que aumenta o risco de fogo e de uma crise hídrica em algumas regiões.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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