A declaração ocorreu em um comício no estádio Moça Bonita, em Bangu, na zona oeste, com a presença de aliados como o candidato a governador e ex-prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ).
A fala veio após Lula dizer que vai criar o Ministério da Segurança Pública -uma promessa de seu plano de governo para um eventual quarto mandato. Ele condicionou a nova pasta à aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, parada no Senado.
Na eleição de 2022, Lula chegou a prometer a criação do ministério, embora não tenha registrado a medida em seu plano.
“Vamos tirar o bandido do território de vocês e devolver o território ao povo do Rio de Janeiro. Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar cem ou 200. Vamos prendê-los”, afirmou Lula. “Vamos dizer: a rua é do povo, a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo, não é dos bandidos”, acrescentou.
A capital fluminense viveu um sábado de grande mobilização eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na corrida presidencial, participou de encontro com apoiadores no ginásio Maracanãzinho, na zona norte, a cerca de 40 km de Bangu.
No evento, Flávio afirmou que “o bandido vai ser tirado de circulação em pé ou deitado, porque quem tem que andar nas ruas é a população”.
Lula aproveitou a ida ao Rio para elogiar novamente o trabalho do governador interino, o desembargador Ricardo Couto.
O petista disse que Paes, caso eleito, terá de continuar a “limpeza” realizada por Couto. O desembargador assumiu o Executivo em março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL), e determinou revisão em contratos e exonerações.
“Queria dar os parabéns ao Ricardo Couto, porque ele está fazendo uma limpeza que você [Paes] vai ter que continuar quando ganhar as eleições. Isso é coisa sagrada.”
Paes defendeu a aliança com o petista como forma de tirar o Rio de Janeiro do “fundo do poço”.
O ex-prefeito afirmou que o crime organizado chegou ao Palácio Guanabara, sede do Executivo fluminense, e disse que, sem o trabalho da Polícia Federal, o seu adversário nas eleições estaduais seria o ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) Rodrigo Bacellar, que foi preso.
Paes declarou que Bacellar seria o candidato “deles”, citando o nome de Flávio Bolsonaro.
“Não estamos mais falando aqui de corrupção normal, de alguém tomando um dinheirinho de uma empreiteira. Não estou minimizando isso. Estamos falando que, com essa turma, o crime organizado sentou no Palácio Guanabara.”
O candidato ainda lembrou a sua derrota nas eleições estaduais de 2018, vencidas pela chapa do ex-juiz Wilson Witzel e Castro. Paes atacou Witzel, a quem chamou de “ex-juiz vagabundo” e “171”.
“Eles elegeram o Witzel e o Cláudio Castro, e têm a cara de pau de dizer que vão resolver o problema agora”, disse o ex-prefeito, que celebrou a dobradinha com Lula. “Arranco dinheiro desse homem como ninguém”, brincou.
No primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha presidencial, divulgado nesta sexta-feira (21), Lula marcou 39% no primeiro turno, e Flávio, 33%. Numa segunda rodada, o petista também liderou (47% a 43%).
LULA DEFENDE ALIANÇA COM SENADOR PRÓXIMO A PAES
Os deputados federais Benedita da Silva (PT-RJ) e Pedro Paulo (PSD-RJ), que disputam as duas cadeiras do Rio ao Senado nestas eleições, também participaram do evento em Bangu.
Lula fez um aceno a Pedro Paulo, tentando derrubar a resistência de parte dos petistas em relação ao nome. O presidente afirmou que o deputado merece toda a sua confiança.
“O Eduardo Paes achava que eu não gostava do Pedro Paulo. O Pedro Paulo nunca me fez nada. Por que eu haveria de não gostar de quem nunca me fez nada?”, questionou Lula.
“O que está em jogo é a gente escolher o que será melhor para o Rio de Janeiro.”
Pedro Paulo é aliado de Paes de longa data. Chegou a ser cotado como vice do ex-prefeito nas eleições municipais de 2024 -o que não se confirmou.
O estádio Moça Bonita tem capacidade para receber 9.064 pessoas, conforme o site do Bangu, clube dono do local. O público do comício de Lula, contudo, ocupou trechos das arquibancadas e do gramado.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), que era vice de Paes até março, disse que a escolha do estádio não foi coincidência e se deve às raízes do Bangu.
A equipe foi criada com a participação de operários -classe ligada à trajetória de Lula. Cavaliere foi o primeiro político a discursar no comício e aproveitou a ocasião para elogiar Paes e a parceria com o presidente.
JANJA FALA PARA MULHERES
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também se manifestou. Ela focou a defesa dos direitos das mulheres em diferentes áreas, como segurança e trabalho.
“Queremos mulheres vivas, mulheres saudáveis em toda a sua amplitude, mulheres livres, com tempo para trabalhar, estudar, descansar, viajar, namorar. E nós sabemos, meu amor, o quanto isso é importante”, afirmou Janja, em um trecho direcionado a Lula.
A primeira-dama disse que, em 2022, o eleitorado feminino teve força decisiva para eleger o presidente. “Seremos nós, mulheres, outra vez essa força fundamental para decidir o futuro do nosso Brasil.”
Ela abriu o discurso reclamando do microfone. “De novo, esse som está ruim. Acho que estão querendo me prejudicar”, disse Janja, em tom de brincadeira.
No palco, a primeira-dama cantou ao lado do pastor Kleber Lucas uma música em homenagem ao presidente. A canção tinha trechos como “tapete vermelho para o filho do Nordeste” e “Lula, o Brasil te ama de verdade”.
O petista ainda prometeu avanços em áreas como educação. Nesse sentido, falou em garantir escola em tempo integral em toda a rede pública do país. Ele não explicou como o governo federal poderia fazer isso.
“O tal do Fernandinho Beira-Mar custa o dobro do que formar uma menina médica ou um menino engenheiro”, afirmou o presidente, em referência ao traficante preso Luiz Fernando da Costa.
Colaborou Ana Gabriela Oliveira Lima, de São Paulo
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