Agosto nem terminou e já se tornou o mês mais violento para as mulheres em Mato Grosso do Sul desde 2015, quando o crime de feminicídio passou a ser tipificado pela Polícia Civil. Nos últimos 24 dias, seis mulheres perderam a vida para companheiros e ex-maridos, que decidiram matá-las durante discussões.
O caso mais recente é de Marta Florentino Godoi, de 40 anos, morta a golpes de faca e enxada pelo ex, que não aceitava o fim do relacionamento. Após matar a vítima, Dion Lenon Fermino fugiu com a filha do casal, de apenas 5 anos. Ambos foram encontrados horas depois em uma região de mata e o autor preso em flagrante.
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, atualizados até o dia 23 de agosto, mostram que desde a tipificação do feminicídio, Mato Grosso do Sul nunca viveu um agosto sem o crime. Os anos com menos casos foram 2018 e 2014, com uma morte registrada no mês.
Veja abaixo os dados extraídos do sistema pelo Primeira Página.
Total de vítimas
Se comparado o número total de feminicídios registrados ao longo de todos os anos, 2026 ainda segue como o que possui, até o momento, menos casos: 24 até então. Porém, ainda faltam quatro meses para finalizar o período.
Em 2026, as cidades que registraram crimes de feminicídio foram:
- Água Clara – 1 caso;
- Anastácio – 1 caso;
- Aquidauana – 1 caso;
- Bela Vita – 1 caso;
- Campo Grande – 4 casos;
- Corumbá – 2 casos;
- Costa Rica – 1 caso;
- Coxim – 1 caso;
- Dourados – 1 caso;
- Eldorado – 1 caso;
- Fátima do Sul – 1 caso;
- Mundo Novo – 1 caso;
- Naviraí – 1 caso;
- Nioaque – 1 caso;
- Paranhos – 2 casos;
- Ponta Porã – 1 caso;
- Rio Verde de Mato Grosso – 1 caso;
- Selvíria – 1 caso;
- Três Lagoas – 1 caso.
Até o momento, 10 cidades sul-mato-grossenses seguem sem registrar nenhum caso feminicídio desde 2015. São elas: Bodoquena, Guia Lopes da Laguna, Rio Negro, Corguinho, Jaraguari, Vicentina, Jateí, Taquarussu, Brasilândia e Paraíso das Águas.
Agosto Lilás
A campanha marca o mês de conscientização e combate à violência contra a mulher e busca levar informação à população, fortalecer os serviços de atendimento e ampliar o debate sobre os direitos das mulheres.
Entre os temas que serão abordados durante o mês estão:
- Lei Maria da Penha;
- Violência obstétrica;
- Violência sexual;
- Direitos reprodutivos;
- Estratégias de fortalecimento do atendimento às mulheres em situação de violência.
Vítimas
- Josefa dos Santos – 44 anos – assassinada em 16/01 na cidade de Bela Vista;
- Rosana Candia Ohara – 62 anos – assassinada em 24/01 na cidade de Corumbá;
- Nilza de Almeida Lima – 50 anos – assassinada em 22/02 na cidade de Coxim;
- Beatriz Benevides – 18 anos – assassinada em 25/02 na cidade de Três Lagoas;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte – 51 anos – atacada em 03/03 em Ponta Porã e morte constatada em 06/03 em Dourados;
- Leise Aparecida Cruz, de 41 anos – assassinada em 06/03 em Anastácio;
- Ereni Benites – 44 anos – assassinada em incêndio em 08/03 em Paranhos;
- Fátima Aparecida da Silva – 58 anos – assassinada em 23/03 em Selvíria;
- Marlene Brito Rodrigues – 59 anos – assassinada em 06/04 em Campo Grande;
- Vera Lúcia da Silva – 41 anos – assassinada em 12/04 em Eldorado;
- Zelita Rodrigues de Souza – 77 anos – assassinada em 30 de abril em Mundo Novo;
- Fabíola Marcotti – 51 anos – assassinada em 18 de maio em Campo Grande;
- Maria do Carmo – 66 anos – assassinada em 28 de junho em Naviraí;
- Paula de Souza Conceição – 29 anos – assassinada em 11 de julho em Fátima do Sul.
- Rosenilda de Oliveira Candelario – 48 anos – assassinada em 17 de julho em Nioaque
- Terezinha Nantes de Arruda – 54 anos – assassinada em 27 de julho em Campo Grande
- Ana Carolina Goes – de 45 anos – assassinada no dia 30 de julho em Água Clara
- Adrielle Encarnação Rodrigues – assassinada no dia 31 de julho em Corumbá
- Rose Batista Cabreira – de 41 anos – assassinada no dia 2 de agosto em Dourados
- Adriana Barrios – 22 anos – assassinada no dia 5 de agosto em Paranhos.
- Nathalia Rodrigues Nogueira – de 26 anos – assassinada no dia 6 de agosto em Rio Verde de Mato Grosso;
- Joseane Oliveira Nunes – 33 anos – assassinada no dia 19 de agosto em Campo Grande;
- Fátima Alves de Matos – 54 anos – assassinada no dia 21 de agosto em Costa Rica;
- Marta Florentino Godoi – 40 anos – assassinada no dia 23 de agosto em Aquidauana.
Investigados
Abaixo, o Primeira Página reúne o nome de todos os apontados e investigados pelo crime de feminicídio em 2026, em Mato Grosso do Sul. Os dados foram obtidos com apoio da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen).
João Fernando Viegas
Autor do primeiro feminicídio do ano no estado, João Fernando Viegas, de 51 anos, matou Josefa dos Santos, de 44, a tiros, no dia 16 de janeiro. Após o crime, o suspeito tirou a própria vida. Ele e a esposa foram encontrados mortos dentro da casa em que moravam, em Bela Vista.
Antônio Lima Ohara
Casado há 40 anos com Rosana Cândia Ohara, Antônio Lima Ohara, de 73 anos, esfaqueou a vítima até a morte no dia 24 de janeiro. Enquanto cometia o crime, testemunhas afirmaram que o autor sorria, no mesmo momento em que via a vítima agonizar. O crime ocorreu na cidade de Corumbá.
Márcio Pereira da Silva
Responsável pela morte de Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, Márcio Pereira da Silva discutiu com a esposa na madrugada do dia 22 de fevereiro. Por volta das 3h, câmeras captaram áudio do filho do casal, que dizia que o pai havia “acertado” a mãe. A vítima foi morta com golpes de faca, na casa da família em Coxim.
Wellington Patrezi Batista Pereira
Com apenas 20 anos, Wellington Patrezi Batista Pereira matou asfixiada a namorada, Beatriz Benevides da Silva, de 18, dias depois de começar a morar com a jovem. O caso ocorreu no apartamento do casal em Três Lagoas, no dia 25 de fevereiro.
Elianderson Duarte
Subtenente do Corpo de Bombeiros, Elianderson Duarte matou a esposa Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, a marteladas no dia 3 de março. O crime aconteceu na frente dos três filhos, de 11, 15 e 17 anos, na casa da família em Ponta Porã. O militar chegou a ser preso no dia dos fatos, fugiu do presídio onde estava detido em Campo Grande e ficou foragido por 14 dias, quando foi localizado no dia 26 de junho, na capital.
Edson Campos Delgado
Edson matou a esposa, Leise Aparecida Cruz, de 31 anos, no dia 6 de março. O corpo da vítima só foi encontrado em uma casa dois dias depois. O caso ocorreu em Anastácio, sendo o 6º crime de feminicídio em MS.
Juarez Fernandes
Juarez Fernandes, 52 anos, matou a ex-esposa, Ereni Benites, de 44, no Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. A vítima foi encontrada em uma casa em chamas localizada em uma aldeia indígena de Paranhos.
Maurício Mateus da Silva
Maurício Mateus da Silva, de 21 anos, matou a própria tia, Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos, no dia 23 de março, na cidade de Selvíria. Ele foi encontrado se lavando em um rio, próximo da casa onde matou a vítima.
Gilberto Jarson
Responsável pela morte da subtenente da Polícia Militar Marlene Brito Rodrigues, de 59 anos, Gilberto Jarson, de 50, matou a companheira com um tiro. Antes de ser preso, afirmou à polícia que a vítima tinha cometido suicídio. Porém, confessou o crime momentos depois. O caso ocorreu em Campo Grande no dia 6 de abril.
Valdecir Caetano dos Santos
Ex-marido de Vera Lúcia da Silva, de 41 anos, Valdecir Caetano dos Santos, de 56, entrou na casa da vítima e atirou contra ela. Após matar a ex-mulher, o autor tirou a própria vida. O crime aconteceu na cidade de Eldorado, no dia 12 de abril.
Vicente Asúncion Vidal Gonzalez
Após espancar e matar a esposa, Zelita Rodrigues de Souza, de 77 anos, Vicente Asúncion ficou com o corpo da vítima por quatro dias dentro da casa do casal, antes do crime ser descoberto. O caso aconteceu em Mundo Novo, no dia 30 de abril.
João Jazbik Neto
Caso que chama atenção em Mato Grosso do Sul, João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso duas vezes após a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos. No dia 18 de maio, a vítima foi encontrada morta com um tiro no rosto, na casa do casal. O médico afirmou que a mulher teria tirado a própria vida. Porém, por possuir arma de fogo de forma irregular, acabou detido. Dias depois foi solto, enquanto a polícia investigava o caso.
Porém, no dia 14 de agosto, a Justiça decretou a prisão de João, após a perícia constatar que Fabíola foi atingida por um tiro a longa distância, o que quebrava a tese de suicídio. Seis dias depois, Jazbik deixou a cadeia e se tornou o único investigado por feminicídio em 2026, em MS, a receber liberdade da Justiça.
Pedro Lopes Menezes
Vizinho de Maria do Carmo de Souza, de 66 anos, Pedro Lopes Menezes, de 63, decidiu matar a vítima durante a madrugada do dia 28 de junho, com golpes de facão. O crime ocorreu na zona rural de Naviraí.
Vagner dos Santos Ferreira
Durante uma discussão com a namorada, identificada como Paula de Souza Conceição, de 29 anos, Vagner dos Santos Ferreira, também de 29, deu um golpe de faca na vítima. Ele alegou que queria apenas “assustar” a jovem. O caso ocorreu no dia 11 de julho, em Fátima do Sul.
Antônio Marcos da Silva
Movido por ciúmes, Antônio Marcos da Silva matou a esposa com dois tiros na cabeça dentro de um bar em Nioaque. Logo após, esfaqueou até a morte o vizinho Reginaldo Messias Bispo, de 58 anos, que também estava no local. Ele fugiu após cometer o crime no dia 17 de julho, mas se entregou à polícia três dias depois.
Joel Escócia Carvalho
Casado com Terezinha Nantes de Arruda, de 54 anos, Joel Escócia, de 59, matou a mulher a facadas no dia 27 de julho, em Campo Grande. Após o crime, decidiu tirar a própria vida. O casal foi encontrado pelo filho dentro da casa onde moravam.
Daniel Paz dos Santos
Inconformado com o fim do relacionamento com Ana Cordeiro Goes, de 45 anos, Daniel Paz dos Santos desferiu 10 golpes de faca contra a vítima. O caso ocorreu no dia 30 de julho, em Água Clara.
Douglas Richard Ribeiro
Em menos de 24h da morte de Ana, Daniel Richard Ribeiro matou a facadas a ex-companheira, Adrielle Encarnação Rodrigues, de 26 anos, durante um encontro. O crime aconteceu no dia 31 de julho em Corumbá.
Odete Benites e Renê de Souza
Única mulher presente na lista, Odete Benites, de 50 anos, arquitetou a morte de Rose Batista Cabreira, de 41. O comparsa dela, Renê de Souza, e atual marido da vítima, ajudou na realização do crime, que aconteceu no dia 2 de agosto, em uma Aldeia de Dourados. Ele é o único suspeito de MS foragido pelo crime de feminicídio, em 2026, até o momento.
Denilson Ramires Medina
Acreditando em traição por parte da esposa, identificada como Adriana Barrios, de 22 anos, Denilson Ramires Medina, de 27, matou a mulher com diversos golpes de faca e objetos perfurantes. O crime aconteceu no dia 5 de agosto, em uma aldeia de Paranhos.
Jucimar Amaral Delmondes
Mesmo na presença dos filhos de 5 e 9 anos de Nathália Rodrigues Nogueira, de 26, Jucimar Amaral Delmondes matou a companheira a facadas pelas costas, durante uma discussão. O crime aconteceu no dia 6 de agosto, na cidade de Rio Verde de Mato Grosso.
Lourival da Cruz Neto
Com 19 anos, Lourival da Cruz Neto é o mais jovem entre os suspeitos investigados por feminicídio em MS, em 2026. Ele matou, com golpes de foice, a companheira Joseane Oliveira Nunes, de 33. O crime aconteceu na noite do dia 19 de agosto, em Campo Grande, e o autor preso horas depois na cidade de Jaraguari, onde tentava se esconder.
Rubens Alves Justino
Rubens Alves Justino foi preso na sexta-feira (21), suspeito de matar Fátima Alves de Matos, de 54 anos. O autor negou o crime, mas as marcas de ferimento no corpo da vítima contradizem a versão dos fatos apresentada por ele, que deve passar por audiência de custódia neste sábado (22).
Dion Lenon Fermino
Caso mais recente em Mato Grosso do Sul, Dion Lenon Fermino não aceitava o fim do relacionamento com Marta Florentino Godoi, de 40 anos, e decidiu matá-la. O autor usou um faca e uma enxada para tirar a vida da vítima. Em seguida, fugiu com a filha do casal, de apenas 5 anos. Ele foi encontrado com a criança em uma área de mata, horas depois, e preso em flagrante.
Denuncie a violência contra a mulher
Violência doméstica, seja psicológica, física, moral ou verbal, é crime e precisa ser combatida. Saiba como denunciar:
- Emergência: se a agressão estiver acontecendo, ligue 190 imediatamente;
- Central de denúncias: disque 180. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia, todos os dias. Também é possível denunciar via WhatsApp: (61) 9610-0180;
- Presencial: procure a delegacia mais próxima ou acione a Polícia Militar pelo 190;
Em Mato Grosso do Sul, as denúncias de violência de gênero podem ser feitas de maneira on-line.
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