O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (27) que não pretende privatizar os Correios e disse que a estatal será recuperada diante das dificuldades financeiras enfrentadas nos últimos anos.
A declaração ocorreu durante sabatina realizada pela TV Globo. Questionado sobre a possibilidade de venda da empresa, Lula destacou a importância estratégica dos Correios e lembrou que a estatal mantém presença em municípios de todo o país.
Segundo o presidente, a situação financeira negativa não é recente. Para ele, parte das dificuldades está relacionada às mudanças ocorridas no mercado de entregas e à entrada de novas empresas no setor.
Lula defendeu que os Correios precisam se adaptar ao cenário atual, marcado por maior concorrência. O presidente também afirmou que a administração deverá promover uma revisão das despesas da estatal, com redução de custos onde considerar necessário.
Déficit se acumulou nos últimos anos
Os Correios vêm registrando resultados negativos sucessivos. Em 2022, o prejuízo informado era de R$ 171,8 milhões. No ano seguinte, o resultado negativo chegou a R$ 1,5 bilhão.
Em 2024, o déficit alcançou R$ 1,7 bilhão e, em 2025, chegou a R$ 2,6 bilhões. No primeiro semestre de 2026, a estatal acumulou resultado negativo de R$ 3,1 bilhões, conforme os dados apresentados.
Diante do cenário, o governo federal vem adotando medidas para tentar reorganizar a empresa. No ano passado, Lula promoveu a troca no comando dos Correios, com Emmanoel Schmidt Rondon assumindo a presidência no lugar de Fabiano Silva dos Santos.
Desde então, parte da diretoria foi substituída e a empresa passou a trabalhar em um plano de reestruturação.
Entre as medidas previstas estão o fechamento de algumas agências e a implantação de um programa de demissão voluntária, como parte da estratégia para reduzir despesas e buscar a recuperação financeira da estatal.
Ao defender a permanência dos Correios sob controle estatal, Lula afirmou que a empresa precisa acompanhar as transformações do setor e encontrar novas formas de competir no mercado de entregas.

