As inundações que atingiram áreas do Nepal e da China há uma semana já deixaram mais de 1.200 mortos, enquanto as equipes de emergência enfrentam condições adversas para localizar milhares de pessoas que continuam desaparecidas.
No Nepal, o número de vítimas fatais chegou a 1.204, segundo atualização divulgada nesta quarta-feira (2) pela Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres (NDRRMA). Cerca de 4.216 pessoas ainda são consideradas desaparecidas.
Do outro lado da fronteira, pelo menos 21 mortes foram registradas em território chinês, de acordo com informações divulgadas pela emissora estatal CCTV.
Buscas continuam em áreas de difícil acesso
As operações de resgate prosseguem principalmente em regiões próximas ao rio Trishuli, onde centenas de trabalhadores de projetos hidrelétricos estão desaparecidos. Segundo a autoridade nepalesa, aproximadamente 640 funcionários de diferentes empreendimentos não foram localizados.
Uma das principais preocupações envolve trabalhadores que podem ter ficado presos em túneis de usinas hidrelétricas após a chegada repentina das águas. Ainda não há confirmação sobre quantas pessoas estavam dentro dessas estruturas no momento das inundações.
A busca ocorre em meio a chuvas persistentes e em uma região montanhosa de acesso complicado. As equipes precisam atuar em um estreito desfiladeiro cercado por encostas instáveis e atravessado por um rio de forte correnteza.
China reabre acesso à região atingida
A China também ampliou a estrutura empregada nas operações após a reabertura completa da estrada que dá acesso à passagem fronteiriça de Gyirong, na direção do Nepal.
Os danos provocados na rodovia nacional G216 haviam dificultado a chegada de veículos e equipamentos pesados. Até então, parte dos suprimentos precisou ser transportada por via aérea, enquanto algumas equipes avançaram pelas montanhas a pé.
Com a liberação da estrada, máquinas pesadas e equipamentos destinados às buscas começaram a chegar à região. A CCTV informou ainda que foram mobilizados cães farejadores e dispositivos capazes de auxiliar na identificação de sinais de vida.
Risco de novos deslizamentos preocupa autoridades
As condições do terreno continuam sendo um dos principais obstáculos para o trabalho dos socorristas. Além das chuvas, existe preocupação com novos deslizamentos nas áreas montanhosas.
Autoridades vinham monitorando lagos formados ou ampliados em regiões acima dos pontos afetados, diante do risco de rompimentos provocarem novas inundações. Segundo as informações mais recentes, essa ameaça diminuiu, mas os deslizamentos de terra permanecem entre os principais riscos para as equipes e para as comunidades atingidas.
Uma semana após o início da tragédia, as operações de busca, resgate e reconstrução continuam, enquanto familiares aguardam informações sobre milhares de pessoas ainda desaparecidas.

