sexta-feira, outubro 30, 2026

Cargo não pode ser usado para benefício pessoal em nome da democracia, diz Lula

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O petista deu a declaração enquanto falava sobre a crise que atingiu o STF (Supremo Tribunal Federal) após revelações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do Banco Master.

“Ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável, vale para uma parteira, vale para uma médica”, declarou Lula.

Lula não citou Moraes nem o também ministro André Mendonça, relator do processo do Master e outro dos pivôs da crise no Supremo.

Na terça (1), foi revelado que Vorcaro, dois dias antes de ser preso e prestes a viajar para o exterior, perguntou a Moraes se deveria fugir do país. Além disso, o ministro editou um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Master.

Setores próximos a Lula costumavam dizer que Moraes havia ajudado a salvar a democracia brasileira como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2022 e nos anos seguintes, no processo que culminou com a condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe.

Em conversas reservadas, petistas admitiam que Moraes exagerava em suas decisões, mas afirmavam que naquele momento esse tipo de medida era necessário para impedir que Bolsonaro desse um golpe de Estado.

Lula deu as declarações no Palácio do Planalto. Entre os presentes, estavam o presidente do STF, Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet -ele próprio citado no escândalo.

O chefe do governo também defendeu uma reforma do sistema de Justiça.

“Tenho certeza que faremos, para o próximo ano, uma discussão profunda sobre a necessidade de uma nova reforma no Poder Judiciário brasileiro para que o povo possa continuar acreditando na Justiça”, disse Lula.

O petista está no fim de seu mandato como presidente e é candidato a reeleição. Ele tenta não sofrer desgaste de imagem por causa da crise do STF, Tribunal com o qual teve proximidade durante os anos de seu atual mandato.

Lula disse que cabe a Fachin e Gonet resolverem a crise. Também criticou os “vazamentos seletivos” de investigações. “Se a gente não der uma parada nisso, vai perder a credibilidade que nós queremos que a sociedade brasileira tenha na Justiça”, afirmou.

Leia Também: PF afirma que Castro recebeu adega, mansão e caviar para ajudar Refit

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