sexta-feira, setembro 25, 2026

Entenda o que é a amnésia imunológica do sarampo que pode aumentar o risco de outras infecções

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Com essa analogia, a bióloga Patrícia Rosa Vanderborght, responsável pelo setor de imunização humana do Richet Medicina e Diagnóstico da Rede D’Or, explica como a amnésia imunológica pode acometer o organismo após a infecção pelo sarampo.

A doença é de transmissão respiratória e causada por um vírus. Os sintomas mais comuns são febre alta, manchas vermelhas pelo corpo (exantemas), conjuntivite, coriza, mal-estar e tosse seca.
O sarampo evolui em quatro períodos: 1) incubação, que dura em torno de dez a 15 dias; 2) catarral, de dois a quatro dias, quando aparecem febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e as manchas brancas na mucosa oral, chamadas de Koplik; 3) exantemático, de quatro a seis dias, é a fase marcada pelo aparecimento das manchas vermelhas que se iniciam no rosto, atrás da orelha, e se espalham para o tronco, braços e pernas; 4) convalescença, quando o paciente apresenta descamação. Esse último período marca a recuperação.

“Amnésia imunológica é a perda de parte da imunidade adquirida, que pode acontecer após uma infecção pelo vírus do sarampo. Guardamos memórias de microrganismos que já encontramos e conseguimos produzir anticorpos novamente quando somos expostos a eles. O vírus do sarampo pode atingir células importantes para essa memória e reduzir parte desse repertório”, explica Vanderborght.

Um grupo de cientistas de Harvard acompanhou crianças não vacinadas antes e depois do sarampo. Segundo os pesquisadores, a infecção eliminou entre 11% e 73% do repertório de anticorpos preexistentes, a depender do paciente.

O estudo foi publicado na revista Science. Outro trabalho, divulgado na Science Immunology, mostra alterações duradouras no repertório de células B de memória após a infecção.

Com as células de memória destruídas, o corpo perde a capacidade de defesa contra patologias contra as quais a criança já havia adquirido proteção. Por outro lado, a imunidade ao sarampo se torna robusta.

“Depois que a pessoa melhora do sarampo, o número de células de defesa até pode voltar ao normal relativamente rápido, mas isso não significa que a biblioteca voltou a ter todos os livros”, explica Jessica Fernandes Ramos, membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e médica do Núcleo de Infectologia do Hospital Sírio-Libanês.

“Então organismo passa a produzir mais células que não sabem reconhecer muito bem os outros microrganismos que já entrou em contato, mas sabe reconhecer o do sarampo e a pessoa fica protegida. Esse é o paradoxo do sarampo e é por isso que usamos essa expressão”, diz.

A especialista da SBI afirma que o fenômeno não é exclusivo das crianças e também pode ocorrer em adultos, porque eles também possuem as células de memória suscetíveis aos vírus com o mesmo receptor.

Ainda não há dados exatos sobre a intensidade e a duração da amnésia imunológica em adultos, nem sabemos o quanto ela difere daquela observada em crianças.

Até o momento, parte do que se sabe sobre os efeitos em adultos vem de estudos realizados com gestantes que contraíram sarampo e apresentaram perda de anticorpos.

Segundo Ramos, um protocolo de pesquisa internacional já está em andamento no continente africano para investigar a amnésia imune especificamente em adultos.

Contudo, devido ao recente aumento de casos da doença nos Estados Unidos, na Europa e no estado de São Paulo, é provável que dados de surtos locais tragam respostas – inclusive com estatísticas brasileiras -antes mesmo da conclusão do estudo na África.

Até esta quarta-feira (19), o estado de São Paulo tinha 23 casos confirmados da doença em 2026 -20 na capital, dois em São Bernardo do Campo, no ABC, e um em Guarulhos, na região metropolitana. A vacinação é a melhor forma de se proteger contra a doença.
*
QUEM DEVE SE VACINAR CONTRA O SARAMPO
– Em São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos
Dose zero: crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias.
Qualquer pessoa de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal (a partir de 3 de agosto).
– Rotina – demais municípios brasileiros
O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses: a primeira aos 12 meses, com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (que inclui varicela).
Pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma. Profissionais de saúde precisam comprovar duas doses independentemente da idade.

Leia Também: Ministério recomenda vacina contra sarampo a quem visita São Paulo, São Bernardo e Guarulhos

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