terça-feira, setembro 15, 2026

Cartas no celular de missionária mostram pedidos de presos para guardar dinheiro e objetos, diz MPMT

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Troca de cartas entre detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE) com a missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida indicam que os presos transferiam a ela e familiares valores em dinheiro e pediam para que guardassem objetos como relógios e outros.

A informação consta em trechos da denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) oferecida à ao Juízo da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, contra a missionária e outras 5 pessoas pelos crimes de integrar a organização criminosa Comando Vermelho Mato Grosso (CV-MT) e por lavagem de dinheiro.

A conclusão parte de análise de diálogos e imagens extraídas do celular de Rhavenna, que foi detida em 16 de julho deste ano e atualmente está presa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

Segundo a denúncia, a família realizava visitas frequentes à Penitenciária Central do Estado (PCE), apresentando-se como líderes religiosos e ingressando no ambiente prisional com aparelhos celulares e carregadores, os quais seriam entregues a detentos integrantes da facção.

Para o MPMT, extrações do iCloud do Iphone de Rhavenna realizadas entre 1 de janeiro de 2023 a
2026, revelaram que o comportamento ultrapassaria ações religiosas e demonstram familiaridade com o ambiente criminoso e a facilidade de transitar entre vários núcleos de lideranças da organização.

Imagens anexadas ao processo mostram cartas que presos trocavam com a missionária. Em uma delas, datada de 30 de junho deste ano, um preso, que se identifica como Júlio, pede que Rhavenna guarde para ele um relógio e um pen drive que vão deixar na casa dela.

Em um dos trechos o preso se dirige a jovem como “minha irmã querida maravilhosa cheirosa linda”, demonstrando grau de intimidade. Na carta ele ainda menciona “não tem ninguém além de vocês pra me ajudar nesse lugar” e diz “estou louco pra te ver e te dar um abraço” em outro trecho.

Conforme o documento, ficou demonstrado que a jovem realizava fluxo de objetos para o interior do presídio e que isso seria uma “prática contumaz realizada por ela”.

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Outra parte do documento também expõe mais cartas, em que, a mãe de Rhavenna, Oriminda, prestava auxílio aos presos, sendo possível verificar em três cartas recebidas por Rhavenna dos presos identificados como Julio, Junior e Escobar, em que eles chamam Orminda de mãe e pedem que ela guarde valores e leve itens para eles no presídio.

“Consigna-se que os itens e valores são entregues por pessoas que devem os presidiários, portanto, sabe-se que não têm origem lícita, pois não realizam qualquer atividade remunerada no presídio”, diz trecho da denúncia.

Uma carta assinada por um preso chamado Junior da Silva pede para que Rhavenna avise a mãe dela que duas transferências na modalidade Pix no valor de R$ 400 vão ser depositadas na conta de Orminda, para que ela guarde para ele. Os valores seriam de um rapaz que estava devendo ele.

Segundo o documento, onde o detento menciona que vai “dar uma benção” para a missionária, seria um código para dar dinheiro. A carta é finalizada com um “Deus te abençoe”.

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Já em carta de um preso que assina como Escobar, ele se dirige a Rhavenna como “minha princesa linda minha irmã mais cheirosa” e também faz pedido similar a de outros presos, para que ela avise a mãe para que pegue um dinheiro e compre um relógio para ele.

O detento acrescenta que já teria pedido diretamente a Orminda, conforme é possível analisar nas cartas, mas que ela teria “esquecido”. Ele finaliza o manuscrito com “beijos, te amo muito, um forte abraço irmã da minha vida”.

“Logo, todo conjunto probatório deixa claro as funções realizadas por Orminda e Rhavenna na organização criminosa”, cita o MPMT.

Mãe e filha receberiam benefícios financeiros

Embora os nomes de Rhavenna e Orminda não sejam citados diretamente nas cartas, os investigadores concluíram que a “irmã” seria a primeira enquanto que a “mãe” seria Orminda.

Ainda segundo o MP, em diálogos atualizados de 2026, é possível constatar que Orminda recebe benefícios pela função realizada no núcleo criminoso, incluindo a compra de um veículo.

“Conforme diálogo realizado no dia 10/02/2026, Orminda informa à Rhavenna que “Vovozona” foi alvo da Operação Imperium, destacando que ele não foi preso e só teve os bens apreendidos. Na sequência, Rhavenna encaminha um comprovante de transferência à mãe, momento em que ela questiona do que se trata e Rhavenna informa que é para pagar o carro e destaca que “ele mando” para pagar a parcela. Orminda informa que ele (possivelmente Renildo) havia pedido o total para quitação do veículo”, diz trecho.

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Para os investigadores Rhavenna e seu núcleo familiar recebiam e movimentavam valores de origem ilícita, oriundos de faccionados foragidos e presos.

Além disso, muitos valores eram recebidos em espécie, fracionados entre os familiares para pagamento de despesas e repasse para terceiros não identificados.

Alguns valores eram depositados e repassados de um familiar para outro, sempre procurando as contas bancárias com menor movimentação para evitarem bloqueios ou alertas bancários, de acordo com a investigação.

“As mensagens são corroboradas pelas imagens localizadas no ICloud de Rhavenna, onde é possível visualizar maços de dinheiro separados”, menciona trecho do documento.

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Denúncia contra família de missionários

Rhavenna Barcelos Almeida foi presa preventivamente em 16 de julho deste ano durante a Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil em Mato Grosso.

Ela é investigada por supostamente integrar uma família de “missionários” que utilizava um projeto religioso para se aproximar de lideranças de uma organização criminosa dentro e fora de presídios.

Rhavena e os pais Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida. - Foto: Reprodução

Rhavenna foi indiciada pela Polícia Civil por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público de Mato Grosso ofereceu denúncia contra ela e outros investigados pelos mesmos crimes.

Os pais de Rhavenna, Orminda de Almeida e Nivaldo de Almeida, também foram alvos da investigação. Nivaldo morreu em decorrência de um câncer no dia 5 de setembro deste ano. Ele lutava contra a doença havia cerca de três anos e estava internado.

A investigação aponta ainda a participação de outros integrantes do núcleo familiar e pessoas ligadas ao projeto religioso Resgatando Vidas.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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