quinta-feira, setembro 17, 2026

Menina diagnosticada com leucemia aos 2 anos vence a doença após receber medula do pai em Cuiabá

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Aos 2 anos, Valentina recebeu um diagnóstico que mudou a rotina de toda a família: leucemia mieloide aguda, um tipo de câncer que afeta o sangue e a medula óssea. O tratamento começou em meio à pandemia e, diante da doença, a menina precisou passar por um transplante de medula. O doador foi o próprio pai.

Cinco anos depois do transplante, completados em março deste ano, a família vive uma fase diferente. Valentina está curada, voltou a brincar e correr e já faz planos para o futuro: quer ser engenheira porque, como ela mesma explica, gosta de “inventar coisas”. “Agora eu sou curada”, comemora.

Pai foi doador de medula

O tratamento contra a leucemia exigiu que Valentina passasse por um transplante de medula óssea em Curitiba (PR). Após os exames de compatibilidade, o pai pôde ser o doador.

Desde então, a família acompanhou cada etapa da recuperação. A mãe conta que aguardava especialmente a chegada dos cinco anos após o transplante, período considerado um marco importante no acompanhamento da doença.

“Eu aguardava muito esse momento dos cinco anos dela. Deu cinco anos agora do transplante, em março deste ano”, contou.

Valentina recebeu diagnóstico de leucemia mieloide aguda aos 2 anos. – Foto: Arquivo Pessoal

Para celebrar a trajetória, Valentina foi convidada pelo Hospital de Câncer de Mato Grosso para tocar o sino da superação, gesto que simboliza a conclusão de uma etapa do tratamento.

“Era uma coisa que a mamãe esperava muito”, lembrou.

‘Quero ser engenheira’

Hoje, a rotina da menina é marcada pelas atividades comuns da infância. Ela conta que gosta de correr, brincar e, principalmente, criar objetos com tudo o que encontra pela frente. “Eu sinto uma alegria contagiante. Eu não consigo parar de correr. O que eu mais gosto é de inventar coisas. Eu pego papel, pego um palito e invento qualquer coisa. Eu inventei uma bolsa de papel”, contou.

É justamente essa vontade de criar que já influencia a escolha da profissão. “Eu quero ser engenheira. É que eu gosto de inventar as coisas”, explicou Valentina.

A menina também brinca ao dizer que carrega características dos dois pais. A mãe é uma de suas inspirações, mas ela diz que, depois de receber a medula do pai, ficou ainda mais parecida com ele.

Ávila enfrenta tratamento contra leucemia

Enquanto Valentina celebra a cura, outras crianças ainda percorrem o caminho do tratamento. Aos 12 anos, Ávila foi diagnosticada com leucemia em fevereiro deste ano.

Segundo a mãe, Edivânia, a menina era ativa e brincalhona até começar a sentir uma dor na coluna, em janeiro. O quadro se agravou ao longo dos dias e levou a família a procurar atendimento médico.

Após idas ao hospital e a realização de exames, o diagnóstico foi confirmado em fevereiro e o tratamento começou poucos dias depois.

“Foi uma corrida rápida contra o tempo. Ela não andava no início. Hoje, só de já ter voltado a andar, tem evoluído bastante”, contou a mãe.

Moradoras de Sinop (MT), mãe e filha precisam viajar para Cuiabá para o acompanhamento médico.

Curada de câncer, Valentina sonha em ser engenheira. - Foto: Arquivo Pessoal
Curada de câncer, Valentina sonha em ser engenheira. – Foto: Arquivo Pessoal

Durante os períodos na capital, elas ficam hospedadas na Associação de Amigos da Criança com Câncer de Mato Grosso (AACC-MT), que oferece gratuitamente alimentação, transporte e apoio a crianças e adolescentes em tratamento, além de acompanhamento psicossocial e pedagógico.

Diagnóstico precoce pode fazer diferença no tratamento

A história de Ávila e a de Valentina fazem parte da campanha Setembro Dourado, voltada à conscientização sobre o câncer infantojuvenil e à importância de investigar sinais e sintomas que persistem.

Segundo a médica ouvida pela reportagem, identificar a doença em estágios iniciais pode permitir tratamentos menos complexos, dependendo do tipo de câncer e de suas características.

“Se eu fecho um diagnóstico bem precoce, em que a doença ainda não tem metástase e não está avançada, o tratamento pode ser localizado. Mas, se a doença é avançada, pode envolver quimioterapia, radioterapia e outros procedimentos”, explicou.

Ela destaca ainda que o diagnóstico em fase inicial pode reduzir impactos do tratamento para a criança e para a família e, em determinados tipos de câncer, aumentar as possibilidades de sucesso terapêutico.

Para Valentina, os anos de hospitais, procedimentos e acompanhamento médico agora dão lugar aos planos para o futuro. Entre papéis, palitos e novas invenções, ela resume a nova fase em poucas palavras: “Agora eu sou curada.”

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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