A equipe do TopMídiaNews recebeu uma denúncia que dava conta de que um terreno supostamente baldio estaria alagado e cheio de animais, sendo patos, galinhas e até uma cachorra, que, segundo o denunciante, estaria magra, deixada ao relento, tomando chuva, exposta ao frio e que, durante a noite, ficaria uivando e ganindo de frio.
Entretanto, ao chegarmos ao local, conversamos com vários moradores que nos afirmaram não saber da situação e, ainda, nos apontaram o proprietário do terreno. Falamos com ele, que abriu o portão do terreno e permitiu que entrássemos para verificar e fazer imagens.
Ele afirmou que as acusações são falsas. Entretanto, admitiu que de fato cria patos e galinhas, mas por um motivo que acredita ser plausível. “Eu crio sim, porque meus netos moram aqui do lado, e eu tenho medo de que eles sejam picados por escorpiões, porque tem muito por aqui, tem terreno baldio demais e a prefeitura não faz limpeza, não passa veneno, não toma providência para eliminar esses bichos.”
Isso se dá porque, na casa ao lado, vive sua filha, que tem duas crianças pequenas, o que causa preocupação quanto a possíveis acidentes com os bichos peçonhentos. “Toda semana eu levo algumas galinhas daqui e solto no quintal dela para que elas façam uma 'limpeza' de insetos por lá, depois trago de volta”, conta o homem.
Ele afirmou, ainda, que se for o caso, pode se desfazer dos patos e galináceos.
Constatamos que a cachorra tem casinha com almofada dentro, que serve como cama, alimentação e água. Sobre ela, o homem afirma que o animal estava com ele havia apenas três dias, depois que uma pessoa que ele conhece a resgatou. “Eu tava pensando em pegar um cachorro pra cuidar do terreno, porque estavam 'pulando' aqui pra dentro. Daí, um rapaz que eu conheço resgatou ela e eu quis pegar. Ela parece ter tido cria recentemente, mas não veio com os filhotes, veio só ela”, conta.
O morador diz não entender o motivo da denúncia, mas suspeita que pessoas interessadas em comprar terrenos e casas no quarteirão possam ter feito isso, já que, anteriormente, tanto ele, quanto outros vizinhos receberam propostas para venderem suas propriedades e recusaram.
Proibição
Em vários municípios brasileiros, é proibido criar galinhas na área urbana. Em Campo Grande não é diferente, de acordo com a Lei Complementar 148/2009, que institui o Código Sanitário Municipal de Campo Grande, que regulamenta a Saúde por meio da definição dos direitos e deveres relativos à saúde individual e coletiva na Capital.
Com isso, uma das questões trazidas na lei é a proibição de se criar galináceos, além de suínos e outros animais de médio e grande porte em áreas urbanas do município.
Os motivos envolvem proteger a saúde pública a fim de evitar zoonoses (doenças infecciosas transmitidas de forma natural entre animais e seres humanos, geralmente causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas que estejam relacionados a essas criações); odores ruins e a atração de pragas.
Pessoas que descumpram a lei podem ser multadas, ter seus animais apreendidos pelo CCZ (Cetro de Controle de Zoonoses) e ainda responde por poluição ambiental, a depender da gravidade do caso.
A equipe de reportagem entrou em contato com a assessoria da Prefeitura, mas até o fechamento desta matéria, não obteve resposta.

