A Justiça de Mato Grosso do Sul negou dois pedidos apresentados pela defesa de Alir Terra Lima, ex-presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, que buscava deixar a prisão preventiva ou obter o direito de cumprir a medida em regime domiciliar.
Alir, de 71 anos, está presa desde 11 de setembro, quando foi alvo da Operação Antidotum, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para investigar suspeitas de fraudes e desvios envolvendo contratos da instituição.
Um dos pedidos foi apresentado ao Núcleo de Garantias, responsável por autorizar a operação. Ao analisar a solicitação de revogação da prisão preventiva, a juíza May Melke Penteado Siravegna considerou que a idade da investigada, por si só, não constitui fundamento legal para a alteração do regime prisional.
A magistrada também apontou que não foi comprovada a existência de uma condição grave de saúde que justificasse a substituição da prisão. A decisão, entretanto, assegura à investigada o acesso a tratamento médico e aos medicamentos necessários no Presídio Militar Estadual.
A defesa também ingressou com um habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). O pedido de liminar foi rejeitado pelo desembargador José Ale Ahmad Netto, da 2ª Câmara Criminal. A análise definitiva do recurso deverá ocorrer posteriormente pelos demais integrantes do colegiado.
Ao Jornal Midiamax, a defesa informou que avalia quais medidas serão adotadas a partir das decisões.
Diretor financeiro também permanece preso
Nesta quarta-feira (23), também foi divulgada a decisão do Núcleo de Garantias que manteve a prisão preventiva de Rinaldo Hakme Romano, diretor financeiro da Santa Casa.
Ele está entre os investigados pela Operação Antidotum, que apura possíveis irregularidades na administração de contratos e recursos ligados à instituição.
Operação investiga contratos e supostos desvios
A Operação Antidotum foi deflagrada em 11 de setembro de 2026 pelo MPMS, por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Na ocasião, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Além de Alir Terra Lima e Rinaldo Hakme Romano, foram presos preventivamente Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de finanças; Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo; Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística; e o empresário Maurício Aparecido Benites.
As investigações apontam possíveis irregularidades em um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande (ABCG), mantenedora do hospital, para a digitalização de prontuários médicos.
O acordo previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Conforme o Ministério Público, somente no primeiro ano teria sido identificado um possível desvio de aproximadamente R$ 1,4 milhão, diante de pagamentos que, segundo a investigação, não teriam sido acompanhados da correspondente prestação dos serviços.
Investigação também alcança empresas ligadas à Santa Casa Saúde
O Gecoc identificou ainda possíveis irregularidades em contratos firmados pela operadora Santa Casa Saúde com empresas que, segundo a investigação, pertenciam ao mesmo grupo empresarial.
Conforme os investigadores, as empresas tinham vínculos com pessoas ligadas à direção da Santa Casa e estavam registradas no mesmo endereço. O imóvel, porém, teria sido encontrado desocupado.
Somente em 2025, os pagamentos realizados pela Santa Casa Saúde a essas empresas chegaram a R$ 9,6 milhões. Segundo os dados levantados até o momento, o prejuízo mínimo estimado nesse conjunto de contratos seria de R$ 3,5 milhões.
A investigação também aponta que documentos relacionados a contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido omitidos de órgãos de controle, entre eles o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul (CGE-MS).
O valor total de eventual prejuízo causado à Santa Casa ainda está sendo apurado.
A operação contou com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (BPChq/PMMS) e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS.
O nome Antidotum, expressão de origem latina que significa “antídoto”, foi escolhido em referência à ideia de uma substância ou medida capaz de neutralizar uma ação nociva. No sentido figurado, também pode representar uma resposta ou contramedida diante de um problema.

