quarta-feira, setembro 23, 2026

De 1,2 mm a mais de 119 mm: agosto expõe forte contraste no regime de chuvas em MS

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Mato Grosso do Sul encerrou agosto com chuvas distribuídas de forma bastante irregular entre as diferentes regiões do Estado. Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) mostram que, enquanto algumas áreas registraram volumes abaixo da média histórica, outras tiveram precipitações superiores ao esperado para o mês.

Os menores acumulados foram observados principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Pantaneira, onde os déficits em relação à média histórica chegaram a variar entre 60% e 80% em diferentes pontos de monitoramento.

Em contrapartida, as regiões Sul, Sudeste, Sudoeste e parte da área Central apresentaram volumes mais elevados. Entre os municípios destacados no levantamento, Alcinópolis teve o menor acumulado, com apenas 1,2 milímetro, enquanto Ponta Porã registrou 119,2 milímetros, o maior volume entre os pontos apresentados.

Também foram registrados volumes acima da média em municípios como Aral Moreira, Porto Murtinho e Campo Grande, embora a distribuição tenha variado de acordo com o ponto de medição.

Campo Grande teve comportamento diferente entre as estações

Na Capital, a distribuição da chuva também foi irregular. A estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), utilizada como referência para comparação com a série histórica, registrou volume 56% inferior à média esperada para agosto.

Ao mesmo tempo, outro ponto de monitoramento, operado pelo Cemaden, acumulou 85,4 milímetros, valor 88% acima da média esperada para o mês. A diferença entre os registros evidencia como a chuva pode variar significativamente dentro de uma mesma cidade.

Agosto teve calor acima dos 40°C

Além da irregularidade das chuvas, agosto foi marcado por temperaturas extremas em Mato Grosso do Sul.

A maior temperatura registrada pelo levantamento do Cemtec foi de 41,1°C, em Pedro Gomes, enquanto a menor chegou a 3,8°C, em Iguatemi. A mínima ocorreu no dia 22 e a máxima, no dia 31.

O período também teve condições de umidade muito baixa. Em Corumbá, a umidade relativa do ar chegou a apenas 9%, enquanto Juti registrou a maior rajada de vento do mês, com 99 km/h.

Seca avança em áreas do Pantanal

Os indicadores utilizados no acompanhamento das condições de seca mostram comportamentos diferentes conforme a região e o período analisado.

O SPI (Índice Padronizado de Precipitação), que considera principalmente os volumes de chuva, apontou redução das condições de seca em determinados períodos, especialmente na região Central. Entretanto, ainda foram identificados déficits de precipitação em áreas do Bolsão e do Sul quando considerados períodos mais longos.

Já o SPEI (Índice Padronizado de Precipitação-Evapotranspiração), que também leva em conta a evapotranspiração, indicou intensificação da seca no Pantanal em relação ao mês anterior. O boletim do Cemtec também aponta déficits expressivos em pontos da região pantaneira.

Primavera deve ter mais chuva, mas temperaturas continuam elevadas

Para o trimestre setembro, outubro e novembro, a previsão climática do Cemtec indica precipitações acima da média histórica em grande parte de Mato Grosso do Sul, com acumulados que podem variar aproximadamente entre 200 e 500 milímetros, dependendo da região.

Ao mesmo tempo, a previsão aponta temperaturas acima das normais climatológicas, cuja referência para o período fica entre 22°C e 26°C.

A combinação de calor, umidade e maior disponibilidade de energia na atmosfera pode favorecer a ocorrência de episódios de chuva intensa, tempestades, ventos fortes, raios e granizo, além de períodos de calor mais acentuado.

O cenário climático também sofre influência do Enos (El Niño-Oscilação Sul). Para o trimestre setembro-outubro-novembro, o boletim do Cemtec aponta probabilidade de ocorrência do fenômeno, com predominância prevista da categoria Muito Forte.

Mesmo com a perspectiva de um período mais chuvoso, o comportamento da precipitação pode continuar irregular entre as regiões. Por isso, o acompanhamento das condições meteorológicas permanece relevante para setores como agricultura, pecuária, recursos hídricos e Defesa Civil, especialmente diante da possibilidade de alternância entre períodos de calor intenso, estiagem localizada e eventos de chuva forte.

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