O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa acaba de se apresentar na Corregedoria da Polícia Civil, em Campo Grande. Ele é alvo de prisão preventiva na Operação Infiltrados, ação realizada nesta quinta-feira (14), que revelou um esquema de desvio de drogas e corrupção envolvendo integrante da segurança pública de Mato Grosso do Sul.
A apresentação de Hoffman era aguardada desde as primeiras horas do dia, quando sua casa foi vistoriada por equipes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) durante cumprimento dos mandados expedidos pela Justiça no âmbito da operação.
A informação foi confirmada pelo advogado responsável pela defesa do advogado, Amilton Ferreira de Almeida. “Na segunda-feira vamos entrar com o pedido de revogação da prisão”.
Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa é delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul desde 2014. Antes disso, trabalhou como escrivão de polícia na cidade de Goiânia (GO). Em Mato Grosso do Sul, foi delegado de Costa Rica e plantonista da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Piratininga).
Em 2019 foi para a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e só deixou a unidade em fevereiro deste ano. No mesmo mês assumiu como titular da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras), mas em julho foi retirado da delegacia especializada e enviado para a 6ª Delegacia de Polícia Civil, onde está lotado até o momento.
Além de Hoffman, outros policiais civis são alvos de prisão nesta quinta-feira, são eles:
- Augusto Torres Galvão Florindo
- Nilton César Sales dos Santos
- Douglas Tobias
- Luiz Carlos de Sousa
- Neverson Viera de Araújo
- Nelson Ricardo Barros de Oliveira
- Marcos André Santos Chaves
- Roberto Palmeira da Silva
A operação
A operação cumpriu nesta quinta-feira 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas descobertas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco. Conforme o Ministério Público, os elementos reunidos apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de entorpecentes, principalmente cocaína.
Segundo as investigações, o grupo atuava de duas formas. Em alguns casos, parte da droga apreendida era omitida dos registros oficiais das ocorrências. Em outras situações, os entorpecentes eram retirados diretamente dos depósitos das delegacias.
Após o desvio, as drogas eram repassadas a traficantes ligados à organização criminosa, que ficavam responsáveis por colocar novamente os entorpecentes no mercado ilegal.
Conforme apurado pela reportagem, as investigações encontraram indícios do esquema desde 2021. Leia detalhes aqui.

