A Prefeitura de Campo Grande registrou crescimento de 7,44% na receita corrente líquida, mas reduziu em 39,64% os investimentos no comparativo apresentado durante audiência pública de prestação de contas realizada na Câmara Municipal nesta quarta-feira (30). Os números provocaram cobranças do vereador Maicon Nogueira (PP), que questionou por que o aumento das receitas não se converteu em mais melhorias para a população.
Considerando todas as fontes de recursos, os investimentos passaram de R$ 145,27 milhões em 2025 para R$ 87,68 milhões em 2026. A diferença representa aproximadamente R$ 57,59 milhões a menos.
Na mesma apresentação, a receita corrente líquida passou de cerca de R$ 5,33 bilhões para R$ 5,72 bilhões. O crescimento nominal ficou acima da inflação de 4,22% informada na audiência.
Maicon resumiu a diferença entre arrecadação e investimentos com uma comparação: “Para cada R$ 100,00 que a Prefeitura gastou no ano passado, neste ano gastou R$ 60,00”.
O vereador explicou que se referia a investimentos em novas estruturas e melhorias, como reformas de parques e construção de unidades de saúde, diferenciando essas intervenções dos gastos necessários para manter a administração funcionando.
“Está entrando mais dinheiro a um passo que estão investindo muito menos”, afirmou.
A cobrança dá continuidade a questionamentos feitos no primeiro semestre. Em maio, foi demonstrado durante uma prestação de contas que a arrecadação municipal havia crescido 4,32% nos quatro primeiros meses de 2026, chegando a R$ 1,28 bilhão. Na ocasião, vereadores cobraram resultados em saúde, infraestrutura e zeladoria, diante de reclamações sobre buracos, medicamentos e atendimento.
Na audiência de setembro, Maicon também apontou crescimento de 6,45% nas despesas com pessoal. Pediu que a Fazenda detalhasse quanto desse aumento correspondia a novas contratações, reajustes, vantagens e outros componentes da folha.
O parlamentar ressaltou que a retração alcançou o conjunto das fontes de financiamento, incluindo repasses estaduais e federais. “Das fontes totais, que são inclusive repasses do Estado e da União, investiram 40% a menos”, declarou.
A discussão ocorre enquanto tramita a proposta de orçamento de 2027. Conforme divulgado, o projeto prevê aproximadamente R$ 7,7 bilhões e anuncia medidas de ajuste fiscal, controle de despesas e maior eficiência administrativa. Esses valores são estimativas para o próximo exercício, cuja execução dependerá da arrecadação e do andamento das despesas.
Em resposta às cobranças, o secretário de Fazenda, Isaac José de Araújo, atribuiu a queda dos investimentos a problemas em licitações nos primeiros meses de 2026.
Isaac também mencionou a retenção de pagamentos de tapa-buraco enquanto eram feitos levantamentos. Acrescentou que, entre janeiro e agosto, a Prefeitura pagou aproximadamente R$ 110 milhões em dívidas de gestões anteriores.
Segundo ele, parte dessas obrigações está relacionada a investimentos realizados no passado e continua comprometendo as finanças municipais. O secretário afirmou esperar aumento na execução dos investimentos no último quadrimestre, mas não apresentou um cronograma detalhado para recuperar a redução apontada no relatório.
FONTE: TOP MIDIA NEWS

