Familiares e amigos do professor Breno Antônio Humberto de Moraes, de 25 anos, encontrado morto em Várzea Grande, após 12 dias desaparecido, divulgaram uma vaquinha solidária nas redes sociais para arrecadar dinheiro para o sepultamento. A mobilização foi publicada nesta quinta-feira (8), mesmo dia em que o corpo do jovem foi localizado.
O corpo de Breno foi encontrado em uma área de mata no bairro 13 de Setembro, na cidade, após o suspeito do crime ser preso e indicar o local para as equipes de investigação.
Breno estava desaparecido desde 26 de setembro, quando saiu de casa dizendo que não demoraria a voltar. Ele foi visto pela última vez pegando carona em uma motocicleta.
Mobilização solidária
Ajude a família de Breno
Familiares e amigos pedem ajuda para custear o sepultamento do professor de 25 anos, encontrado morto após 12 dias desaparecido em Várzea Grande.
Contribua pelo Pix · celular
65 99350-2711
Titular: Rafaela Aparecida H. de Moraes Irmã de Breno e Bruno
Qualquer contribuição pode ajudar a família neste momento. Compartilhe a campanha.
Informações da campanha solidária divulgada por familiares e colegas.
A vaquinha solidária também foi divulgada pelo Centro Acadêmico de Pedagogia nas redes sociais. Formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Breno atuava na área da educação desde 2021, enquanto o irmão gêmeo é estudante do 7º semestre também de Pedagogia.
Nota de pesar: Breno Antônio Humberto de Moraes
Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Não perdemos apenas um colega, perdemos um semeador do mundo. Freire nos ensinou que ensinar é um ato de amor, de coragem e de esperança. E foi isso que o Breno fez, todos os dias.
Ele foi um professor incrível, que fez da sala de aula um lugar de alegria e fez tantas vidas de crianças felizes. Ele vive em cada criança que aprendeu a ler com ele, em cada sorriso que provocou e em cada colega que inspirou.
Sabemos o quanto é difícil viver em uma sociedade que tantas vezes nos nega, nos silencia e nos mata por sermos quem somos. A dor que sentimos hoje é também essa. Por isso, nos solidarizamos com sua família e com nosso colega Bruno, do 7º semestre, seu irmão, e seguimos em luta.
Seguimos em luta por justiça, por uma educação que preserve a vida e que proteja tantos outros como o Breno. Isso não foi em vão.
Breno, presente! Pedagogia presente! Hoje e sempre!
Fonte: Curso de Pedagogia da UFMT
Durante o desaparecimento do ex-estudante, a universidade também havia se manifestado apoiando, inclusive, as duas manifestações realizadas por colegas dos irmãos nos dias 29 e 30 do mês passado, para cobrar respostas da polícia sobre o caso.
Manifestação durante o desaparecimento do professor Breno, em frente à UFMT. – Foto: TV Centro América
Prisão do suspeito e corpo localizado
O serralheiro Elias Samuel Delgado da Silva, conhecido como Elias Bigode, foi preso nesta quinta-feira (8), suspeito de envolvimento no desaparecimento do professor Breno Antônio em Várzea Grande. A prisão aconteceu na região do Manso, 12 dias depois de o jovem ter sido visto pela última vez.
Elias atua no ramo de serralheria, em Várzea Grande, na mesma região onde mora a família da vítima. Nas redes sociais, um perfil identificado como Bigode Serralheiro divulga serviços da área. Segundo informações obtidas pela reportagem, ele é casado e tem uma filha pequena.
Conhecido como Elias Bigode, homem apontado como suspeito atua no ramo de serralheria em Mato Grosso. – Foto: Reprodução/Redes sociais
O corpo da vítima foi encontrado em uma área de mata, na região do bairro 13 de setembro, após o suspeito passar a localização do local aos policiais.
Segundo as autoridades, o corpo está em avançado de decomposição, entretanto tatuagens aparentes indicam tratar-se de Breno. A identificação oficial será feita pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Após a prisão, o irmão gêmeo do professor, Bruno Humberto, contou ao Primeira Página que Breno mantinha contato com o homem apontado como suspeito. Segundo ele, teria sido Elias quem procurou o professor, embora ele não saiba exatamente o que aconteceu entre os dois.
Bruno também revelou que, na madrugada de 25 para 26 de setembro, Breno tentou solicitar diversas corridas por aplicativo, mas não conseguiu. O irmão acredita que os dois possam ter combinado um encontro e levanta a hipótese de que um desentendimento tenha ocorrido porque o professor poderia contar à esposa do homem sobre a aproximação entre eles.
“O Breno conversou com essa pessoa e essa pessoa sempre foi casado, mas quem procurou foi ele. Ele foi atrás do Breno. Não sei o que aconteceu, porque ele fez isso com meu irmão”, contou.
A defesa de Elias Samuel, representada pelo advogado Ronaldo Meirelles, informou que o cliente contribui para as investigações e se apresentou na delegacia de polícia de forma espontânea e nega que tenha cometido qualquer crime.
Familiares, amigos e estudantes da UFMT se mobilizaram para cobrar respostas sobre o desaparecimento de Breno. – Foto: Reprodução
Breno desapareceu na noite de 26 de setembro, depois de sair de casa, no bairro Capela do Piçarrão, em Várzea Grande, para tomar sorvete. Imagens de uma câmera de segurança mostram o professor parado em frente a uma creche municipal, às 20h22, aparentemente esperando alguém.
Quatro minutos depois, um motociclista chega ao local, cumprimenta Breno e o leva na garupa. Desde então, o professor não foi mais visto.
Professor aparece subindo em moto antes de desaparecer em Várzea Grande. – Vídeo: Arquivo Pessoal
Irmão gêmeo fez apelo nas redes sociais
Na época do desaparecimento, o irmão gêmeo de Breno iniciou uma campanha nas redes sociais pedindo ajuda para esclarecer o desaparecimento.
Nos vídeos publicados ele conta que, horas depois do desaparecimento, os familiares tentaram falar com Breno pelo WhatsApp, mas não receberam resposta. Segundo o irmão gêmeo, começaram a chegar mensagens de uma pessoa que dizia estar em Cuiabá.
Bruno afirma que o conteúdo e a forma de escrever não pareciam com a maneira habitual de Breno se comunicar. Diante da desconfiança, a família pediu que ele enviasse um áudio ou uma foto, principalmente por causa do estado de saúde da mãe, que ficou desesperada com o desaparecimento.
Bruno contou que costumava conversar com o irmão sobre casos de desaparecimentos e que eles possuíam preocupação constante um com o outro quando estavam separados.
“Vivo ou morto eu vou achar ele… porque o Breno sempre falava pra mim ‘se um dia alguém fizer alguma coisa comigo, não descansa, luta até o fim’, e eu vou fazer isso por ele”, disse o gêmeo em lágrimas.
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