Cerca de 239,5 mil trabalhadores de Mato Grosso do Sul podem ser beneficiados pelo fim da escala 6×1, modelo em que o profissional trabalha seis dias consecutivos e tem um dia de descanso semanal. A estimativa tem como base dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgados em meio ao avanço das discussões sobre a mudança na jornada de trabalho no Brasil.
O levantamento aponta que 239.545 trabalhadores sul-mato-grossenses estão atualmente submetidos a esse regime. Com a alteração proposta, eles passariam a ter uma organização de jornada com cinco dias de trabalho e dois de descanso, conforme o modelo previsto na proposta em discussão.
Maioria já trabalha na escala 5×2
Os dados do MTE indicam que Mato Grosso do Sul tem 350.846 trabalhadores na escala 5×2, equivalente a aproximadamente 59,4% do total analisado. Outros 40,6% estão na escala 6×1.
Em âmbito nacional, o levantamento identificou cerca de 44,7 milhões de trabalhadores. Desse total, aproximadamente 14,9 milhões atuam seis dias por semana e poderiam ser alcançados pela mudança.
A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas também teria impacto mais amplo. Em Mato Grosso do Sul, cerca de 578,5 mil trabalhadores cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais e poderiam ser afetados por essa alteração.
Proposta prevê dois dias de descanso e manutenção dos salários
O texto em discussão prevê a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem diminuição salarial. A mudança depende das etapas previstas no processo legislativo para entrar em vigor.
A proposta tem mobilizado representantes dos trabalhadores, parlamentares e entidades empresariais. Entre os argumentos favoráveis estão a ampliação do tempo destinado ao descanso, à convivência familiar e à vida pessoal.
Já representantes do setor produtivo apontam possíveis desafios para reorganizar turnos e escalas, especialmente em pequenas e médias empresas. A adaptação das jornadas e os eventuais reflexos nos custos operacionais estão entre os pontos debatidos.
Mudança ainda exige atenção à tramitação
O fim da escala 6×1 integra uma discussão nacional sobre a organização do trabalho e a duração da jornada semanal. A aplicação das novas regras depende da conclusão do processo legislativo e da definição das condições de transição.
Os números divulgados para Mato Grosso do Sul mostram a dimensão potencial da mudança no Estado, mas o total de trabalhadores alcançados e os efeitos práticos dependerão do texto definitivo e de sua implementação.

