Gravação menciona envenenamento da água consumida por comunidades indígenas; Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal para investigar o caso
Um áudio com declarações que sugerem envenenar a água consumida por comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul provocou denúncias e mobilizou autoridades estaduais e federais. O caso veio a público após a circulação de mensagens de voz atribuídas a homens que demonstram revolta com o resultado das eleições presidenciais.
Na gravação divulgada nas redes sociais, uma das vozes sugere colocar veneno na água. O conteúdo foi denunciado por representantes indígenas e por parlamentares, que pedem a apuração dos fatos e medidas para proteger as comunidades.
A deputada estadual Gleice Jane (PT-MS) levou o caso à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) durante a sessão de terça-feira (27). Ela informou que encaminhará denúncias ao Ministério Público e acompanhará a investigação. O episódio também passou a ser relacionado a uma denúncia que deverá chegar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ministério aciona a Polícia Federal
O Ministério dos Povos Indígenas encaminhou à Polícia Federal uma denúncia sobre as ameaças, inicialmente relacionadas a comunidades de Tacuru, município localizado a cerca de 420 quilômetros de Campo Grande.
Segundo o ministro Eloy Terena, a pasta também recebeu relatos de situações semelhantes em Amambai, Naviraí e na região de Sidrolândia. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) mobilizou uma equipe para acompanhar a situação junto à comunidade.
A investigação deverá esclarecer a origem e a autenticidade dos áudios, identificar as pessoas envolvidas e verificar se houve prática criminosa. O ministério informou que, até o momento, não existem evidências de que a água consumida pelos indígenas tenha sido contaminada.
Prefeitura anuncia apuração administrativa
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, confirmou que a gravação está relacionada a um servidor municipal e anunciou o afastamento do funcionário, além da abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
O procedimento administrativo deverá apurar a conduta do servidor. A responsabilidade criminal dos envolvidos, por sua vez, depende da investigação conduzida pelas autoridades competentes.
Lideranças indígenas cobram providências
O cacique e vereador de Tacuru Ivan Montiel, representante da Aldeia Sassoró, repudiou as declarações e afirmou que pretende buscar a responsabilização dos envolvidos nas esferas criminal e cível.
As manifestações também levantam preocupações sobre o respeito aos direitos dos povos indígenas e à liberdade de escolha política. As denúncias surgiram após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) informou que encaminhou representações a órgãos federais e pediu investigação rigorosa e proteção às comunidades diante dos relatos de ameaças e outros episódios de violência.
A apuração deverá esclarecer as circunstâncias das declarações, a identidade de todos os envolvidos e a existência de eventuais riscos à população indígena.

