A Santa Casa de Campo Grande anunciou restrições em diferentes atendimentos em meio à crise financeira que atinge o hospital, cuja dívida acumulada chega a cerca de R$ 810 milhões.
A direção pretende priorizar pacientes em situação de urgência e emergência encaminhados oficialmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto tenta renegociar os contratos com as secretarias municipal e estadual de Saúde. A mudança ocorre em um cenário de atrasos nos pagamentos a médicos e de pacientes que enfrentam dificuldades para realizar procedimentos.
“Nós só vamos atender pacientes encaminhados oficialmente pela rede, ou seja, é o paciente que vai ter que vir com encaminhamento do CORE [Complexo Regulador Estadual] oficial. Os pacientes que não forem do CORE não serão atendidos, então não tem porta aberta”.
Luiz Alberto Hiroki Kanamura, gestor provisório
A restrição é uma tentativa de garantir os materiais necessários para quem realmente precisa de atendimento de urgência e emergência. A falta de recursos financeiros, no entanto, também afeta os pagamentos aos profissionais de saúde.
“Para que você consiga atender os pacientes que são urgência e emergência, você usa insumos. Boa parte dos insumos não é só para esse paciente, se usa para todo tipo de paciente. Então, se eu mantiver o paciente que pode ser atendido em outro lugar, vai faltar insumo para esses pacientes e eu não tenho financeiro para adquirir”.
Luiz Alberto Hiroki Kanamura, gestor provisório
Segundo a diretora clínica, seis especialidades médicas enfrentam atrasos nos pagamentos, como anestesiologia, cirurgia cardíaca, cirurgia vascular, urologia, hematologia e oftalmologia.
Os médicos contratados como pessoas jurídicas, os chamados PJs, estão de quatro a cinco meses sem receber, e a dívida com esses profissionais chega a cerca de R$ 40 milhões de reais.
Especialidades médicas
- Anestesiologia
- Cirurgia cardíaca
- Cirurgia vascular
- Urologia
- Hematologia
- Oftalmologia
A Santa Casa agora tenta melhorar o contrato de prestação de serviços com as secretarias municipal e estadual de saúde, com o objetivo de aumentar os repasses para garantir o funcionamento do hospital. Já houve uma primeira proposta, intermediada pelo Ministério Público, mas foi recusada.
O contrato prevê atualmente um repasse mensal de R$ 32,8 milhões. A nova proposta é aumentar esse valor para R$ 37,4 milhões por mês, e ainda assim, segundo a direção, o valor fica abaixo dos gastos mensais do hospital, estimados em R$ 54 milhões.
“A proposta do Estado e do Município para que a Santa Casa se adeque ao que eles precisam e é o que nos vamos fazer: politraumatizado, neurocirurgia, ortopedia, neurologia clínica, cardiologia, clínica cirúrgica, cirurgia vascular e grande queimado. Essas áreas esses pacientes são só atendidos na santa casa”.
Luiz Alberto Hiroki Kanamura, gestor provisório
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) informou que não foi comunicada pela santa sobre a decisão anunciada, e que o fluxo de encaminhamento de pacientes segue normalmente conforme previsto no convênio vigente.
MPMS cobra plano
O novo contrato da Santa Casa de Campo Grande inclui um aumento de R$ 4 milhões nos repasses mensais, mas não chega a resolver a crise financeira do hospital. O alerta foi feito pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) nessa quarta-feira (14), durante uma audiência sobre a situação do hospital.
O MPMS estimou que a instituição ainda pode ter um déficit de até R$ 19,7 milhões por mês e cobra um plano de ação para garantir que os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) continuem.


