A permanência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos pode ser impactada pelo resultado das eleições norte-americanas. As chamadas Midterms ocorrem nesta terça-feira (3) e vão definir todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado.
As projeções indicam que o Partido Democrata, oposição ao presidente Donald Trump, pode reconquistar a maioria no Congresso. A votação poderá ter grande impacto no restante do mandato do republicano.
Flávio Bolsonaro, derrotado nas eleições presidenciais brasileiras, fugiu para os EUA após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a apreensão de seus passaportes.
Uma possível expulsão da família Bolsonaro do país, no entanto, não estaria nas mãos do Congresso, mas, sim, do Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, e do Departamento de Segurança Interna (DHS). O Congresso, no entanto, pode abrir investigações contra eles com o objetivo de pressionar o governo Trump.
Aliado de Trump, o parlamentar tem apostado nessa aliança para fortalecer a narrativa golpista de que foi eleito o presidente do Brasil. Na semana passada, ele divulgou uma carta alegando fraude, mas sem apresentar provas de irregularidades no processo eleitoral.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada recentemente apontou que o governo Trump possui reprovação de 66%. Nas redes sociais, os brasileiros levantaram a hashtag #DeportTheBolsonaros, que ficou entre as mais compartilhadas na última semana.
O irmão do senador, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, também está nos EUA desde março de 2025 para articular sanções internacionais contra autoridades brasileiras e evitar prisões e investigações no Brasil. Ele foi condenado pelo STF neste ano.
Investigações
Flávio Bolsonaro enfrenta três processos no Supremo e deve concentrar os próximos meses na construção de sua defesa.
Diferentemente de Eduardo, o político constituiu um time de advogados para representá-lo, que correm contra o tempo para evitar novas decisões judiciais.
Flávio Bolsonaro é alvo de três investigações
Por lavagem de dinheiro, ao lado do advogado Willer Tomaz, por meio de plataformas de apostas.
Por corrupção, no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A ordem para entregar o passaporte é do ministro Alexandre de Moraes no âmbito do processo em que o ex-candidato à Presidência da República e o advogado Willer Tomaz — que são investigados por lavagem de dinheiro, em um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e bets.
Flávio saiu do Brasil na terça-feira da semana passada depois de um dia de versões desencontradas e informações falsas de aliados sobre seu paradeiro. Com a mulher e as duas filhas, ele pegou um avião para a Argentina, fez escala no Equador e pousou em Miami.
Nos EUA, o senador se encontrou com Eduardo Bolsonaro e com Alexandre Ramagem, que também foi condenado pela Justiça brasileira.

