O brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, foi eleito deputado estadual na Flórida, nos Estados Unidos. Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele venceu a republicana Bonnie Jackson na votação encerrada na terça-feira (3). Com o resultado, Felipe será o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Flórida. Ele também se torna o primeiro imigrante abertamente gay eleito para a Casa.
A conquista acontece depois de uma trajetória marcada pela imigração, pelo trabalho em organizações sociais e pela atuação na administração pública.
Quem é Felipe Sousa-Lazaballet?
Filho de uma empregada doméstica cearense que o criou sozinha, Felipe chegou aos Estados Unidos aos 14 anos. Viveu cerca de 15 anos em situação migratória irregular e recebeu autorização para trabalhar aos 26, por meio do DACA.
O programa foi criado durante o governo Barack Obama para oferecer proteção temporária contra deportação e autorização de trabalho a imigrantes que chegaram ao país ainda crianças, conforme os critérios estabelecidos. Felipe já tinha o green card, obtido por uma petição familiar, quando se casou com Luis Sousa-Lazaballet, em 2020. No ano seguinte, tornou-se cidadão americano.
Como entrou na política?
A experiência como imigrante foi decisiva para sua aproximação com a vida pública. Felipe atuou em organizações de defesa dos imigrantes e da comunidade LGBTQIA+ e trabalhou durante cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer. “Foi justamente por causa desse processo tão difícil, de ser uma pessoa imigrante nesse país, que eu me envolvi com a política. Para ajudar as pessoas e buscar mudanças sociais”, afirmou em entrevista ao g1.
Durante a campanha, ele disse ter sido atacado pela adversária por ser imigrante e pelo tempo de residência na Flórida. Entre os eleitores, porém, afirmou perceber uma recepção positiva à sua trajetória.
Quais são suas propostas?
Entre as prioridades anunciadas pelo democrata estão enfrentar o aumento do custo de vida, ampliar a oferta de moradias acessíveis, fortalecer o financiamento das escolas públicas e melhorar o acesso à saúde. Ao falar sobre a chegada aos Estados Unidos, Felipe resumiu o início dessa caminhada: “Cheguei nos EUA com 14 anos, literalmente com uma mala, um coração cheio de sonhos e nada mais”.

