Chegar a um acordo mundial para estabelecer regras para a inteligência artificial pode ser mais difícil do que foram as negociações para limitar armas nucleares durante a Guerra Fria. O alerta foi feito por Bill Gates, cofundador da Microsoft, ao defender uma atuação dos Estados Unidos na regulamentação da tecnologia.
A comparação chama atenção pelo tamanho do desafio citado pelo bilionário. Durante décadas, Estados Unidos e União Soviética negociaram tratados para limitar arsenais nucleares. Agora, na avaliação de Gates, construir um entendimento internacional em torno da IA pode ser ainda mais complicado.
“Isso é mais difícil do que aquilo foi”, afirmou Gates durante entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC News.
A declaração não significa que Gates tenha classificado a inteligência artificial como mais perigosa que armas nucleares. A comparação feita por ele se refere à dificuldade de conseguir que diferentes países concordem com uma estrutura global de regulamentação para a tecnologia.
Gates defende regras para empresas de IA
O cofundador da Microsoft defendeu que os Estados Unidos assumam uma posição de liderança na criação de regras para acompanhar o avanço da inteligência artificial.
Na avaliação apresentada por Gates, a implantação de sistemas de monitoramento sobre empresas que desenvolvem IA não necessariamente prejudicaria os Estados Unidos na disputa tecnológica com a China.
A discussão ocorre em meio a divergências sobre até onde os governos devem interferir no desenvolvimento da tecnologia.
Trump defende avanço dos EUA na corrida da IA
As declarações de Gates também foram feitas ao comentar a posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contrária à regulamentação defendida pelo bilionário.
Segundo a reportagem, Trump rejeitou pedidos para que o governo federal estabelecesse salvaguardas para empresas responsáveis pelo desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.
“Quem vencer a IA, vence! Estamos à frente da China e de todos os outros, e continuaremos assim”, escreveu Trump em uma publicação na Truth Social, conforme reproduzido pela reportagem.
O posicionamento evidencia uma das dificuldades apontadas por Gates: enquanto governos e empresas disputam espaço na corrida pelo desenvolvimento de sistemas cada vez mais avançados, permanece o desafio de estabelecer regras que possam ser aceitas internacionalmente.
Para Gates, justamente essa busca por um entendimento entre diferentes países pode tornar a regulamentação global da inteligência artificial um desafio comparável – e, segundo ele, ainda mais difícil – às negociações internacionais que marcaram a era das armas nucleares.

