Comandante afirma que pedido de aeronaves não foi atendido; Ministério do Meio Ambiente diz que ofereceu suporte e aponta ações de combate aos incêndios no Estado
O agravamento das queimadas no Amazonas provocou um novo embate entre autoridades estaduais e o governo federal. O comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, afirmou que a corporação teve um pedido de apoio para combater incêndios florestais negado, enquanto o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima sustenta que o governo federal ofereceu assistência e mantém equipes atuando na região.
A declaração do comandante foi feita na sexta-feira (9), em entrevista à Rede Amazônica. Segundo Muniz, os bombeiros solicitaram aeronaves para auxiliar no combate ao fogo, inclusive em áreas sob responsabilidade federal, mas receberam uma resposta negativa.
De acordo com informações divulgadas pela Revista Oeste, o Corpo de Bombeiros apresentou dois ofícios relacionados à solicitação de recursos. O pedido foi encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública em 18 de setembro, e a resposta foi enviada em 1º de outubro. Na ocasião, a pasta informou que a Secretaria Nacional de Segurança Pública não dispunha dos equipamentos necessários para atender à solicitação de doação.
Governo federal apresenta outra versão
Em resposta às críticas, o Ministério do Meio Ambiente afirmou que o governo federal mantém ações de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais no Amazonas.
Em nota divulgada na sexta-feira (9), a pasta informou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) havia extinguido 229 incêndios no Estado e continuava atuando em outros 20 focos ativos. O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental e Territorial do ministério, André Lima, também declarou que o governo ofereceu apoio às autoridades estaduais.
Segundo o ministério, uma solicitação de auxílio feita pelo governo amazonense em 23 de setembro levou ao acionamento de equipes do programa Respad e à disponibilização de uma aeronave do projeto Pegasus, ambos vinculados ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A pasta acrescentou que, em 30 de setembro, após chuvas contribuírem para o controle dos focos de incêndio, o governo estadual informou que o apoio das equipes do Respad não seria mais necessário e dispensou a atuação antes do deslocamento dos profissionais para o campo.
O Ministério do Meio Ambiente também anunciou o reforço das operações, com a previsão de disponibilizar seis aeronaves — quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros —, além de 290 brigadistas.
Fumaça agrava situação em Manaus
O avanço das queimadas tem provocado fumaça intensa em diferentes áreas do Amazonas, com reflexos na qualidade do ar e na rotina da população. Em Manaus, a situação levou à suspensão de atividades presenciais em escolas e universidades na sexta-feira (9), diante dos níveis elevados de poluição atmosférica.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados pela Revista Oeste apontam que o Amazonas registrou 3.726 focos de calor em setembro, quase quatro vezes o número observado no mesmo mês de 2025.
O Ministério do Meio Ambiente informou ainda que orientou o governo estadual a formalizar pedidos adicionais de recursos por meio do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. Segundo a pasta, até a divulgação da nota, essa solicitação ainda não havia sido apresentada.
O episódio evidencia divergências entre as autoridades sobre o atendimento aos pedidos de reforço no combate às queimadas. Enquanto o comando dos bombeiros afirma ter recebido uma resposta negativa à solicitação de aeronaves, o governo federal sustenta que ofereceu apoio e mantém operações em andamento no Estado.
Fontes: Revista Oeste, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e informações divulgadas pela Rede Amazônica.

