A valorização da identidade pantaneira ganhou novos encaminhamentos em Mato Grosso do Sul com o avanço da implantação dos Centros de Tradição Pantaneira (CTPs). A iniciativa reúne instituições públicas e privadas em uma articulação que pretende preservar saberes e costumes, ampliar a participação das comunidades e aproximar cultura, empreendedorismo e desenvolvimento local.
Os próximos passos foram discutidos na sexta-feira (4), durante reunião da Comissão de Valorização da Cultura Pantaneira, realizada na sede do Sebrae/MS, em Campo Grande. O encontro reuniu cerca de 20 representantes ligados à cultura, ao poder público, ao setor empresarial e a instituições do Sistema S. A comissão reúne mais de 40 instituições públicas e privadas.
Cinco Centros de Tradição estão em diferentes etapas
Uma das principais frentes de trabalho é a implantação dos Centros de Tradição Pantaneira. De acordo com o Sebrae/MS, atualmente existem cinco CTPs em processo de formalização, implantação ou já em funcionamento. Três deles já foram formalizados.
A iniciativa envolve 12 municípios da chamada borda pantaneira em Mato Grosso do Sul e prevê a ampliação gradual para localidades que ainda não possuem um centro.
A proposta é que esses espaços funcionem como pontos de referência para preservar e transmitir conhecimentos relacionados à cultura pantaneira. Entre as atividades previstas estão oficinas, palestras, ações educativas e iniciativas voltadas ao resgate de tradições.
Além da preservação cultural, os CTPs deverão aproximar essas manifestações de segmentos como turismo e empreendedorismo, criando possibilidades para que os conhecimentos e produtos associados à identidade regional também contribuam para a geração de renda.
Rio Verde participa da articulação estadual
Rio Verde de Mato Grosso está entre os municípios envolvidos nesse movimento. A presidente da Comissão Municipal da Cultura Pantaneira de Rio Verde e representante da Inspiraê por Selma Brito, Ana Miriam Cardeal Martos Brito, participou das discussões e destacou os avanços registrados ao longo de 2026.
Segundo Ana Miriam, entre os resultados alcançados estão a estruturação da federação, a entrada de novos participantes no movimento, a catalogação de ícones da cultura pantaneira e o trabalho de resgate das tradições.
A participação do município ocorre em um contexto no qual Rio Verde já possui histórico de iniciativas voltadas à cultura pantaneira. O município realizou, em 2025, a quarta edição do Festival da Cultura Pantaneira, com programação cultural e ações relacionadas ao empreendedorismo e à economia local.
Movimento busca criar representação própria
Outra frente discutida pela Comissão é a organização e formalização de uma entidade representativa da cultura pantaneira. A proposta é criar uma estrutura capaz de reunir os diferentes centros e iniciativas e ampliar a articulação entre municípios, associações, instituições e demais segmentos envolvidos.
Também está em andamento um estudo, realizado com apoio de uma consultoria especializada, para consolidar um conceito de cultura pantaneira. A intenção é estabelecer uma referência comum para orientar projetos e ações desenvolvidos pelas instituições participantes.
Para os integrantes do movimento, a preservação não deve se limitar à imagem do Pantanal como destino turístico. A proposta é reconhecer as pessoas que vivem na região e mantêm, no cotidiano, conhecimentos, costumes e manifestações transmitidos entre gerações.
Nesse sentido, os Centros de Tradição Pantaneira são apresentados como instrumentos para aproximar a população dessas iniciativas e criar espaços permanentes de aprendizado e transmissão cultural.

Evento está previsto para 2026
A agenda da Comissão também inclui a realização do Evento de Cultura Pantaneira 2026, que deverá reunir diferentes segmentos e ampliar a visibilidade das manifestações culturais relacionadas ao Pantanal. A data e o local ainda serão definidos.
Com os novos encaminhamentos, o trabalho segue concentrado em três frentes principais: ampliar a implantação dos Centros de Tradição Pantaneira, estruturar uma entidade representativa e consolidar uma definição comum sobre a cultura pantaneira.
A expectativa é que essa articulação transforme a preservação das tradições em ações permanentes, ao mesmo tempo em que abra espaço para iniciativas de empreendedorismo, turismo, educação e geração de renda nos municípios envolvidos.

