O dinheiro movimentado entre pessoas ligadas a Lucas da Silva dos Santos, o “LK”, e policiais investigados é uma das frentes da Operação Infiltrados. No pedido de prisão, o Gaeco, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), reúne extratos bancários, comprovantes de Pix e declarações de imposto de renda para sustentar a suspeita de que valores obtidos com a revenda de drogas apreendidas circularam por contas pessoais e empresariais.
Enquanto isso, com várias entradas de valores altos não declarados. O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa estava construindo uma casa avaliada em mais de R$ 1,6 milhão no Bairro Carandá Bosque. O imóvel possui elevador, piscina, jogo de luz, sistema de ar-condicionado e área de churrasqueira de mais de R$ 22 mil.
Mais de R$ 1,3 milhão enviado a contas ligadas a “LK”
A maior sequência de transferências destacada no pedido partiu de Lavínia Carvalho da Luz. Entre 17 de maio e 15 de outubro de 2024, ela enviou R$ 1.318.295,92 por Pix para contas de “LK” e da empresa L R Obras e Construções, vinculada a ele, segundo os extratos analisados pelo Gaeco.
O Ministério Público afirma que Lavínia cedia suas contas para movimentar valores provenientes da venda de drogas. O período das operações começa poucos dias antes da apreensão de 643 quilos de cocaína em Bela Vista, feita pela Denar em 21 de maio de 2024.
O pedido também aponta R$ 314.308,40 enviados por Lavínia à conta de Rayane Luiz Vieira, companheira de “LK”, entre 22 de maio e 1º de outubro de 2024. Segundo os investigadores, a movimentação começou no dia seguinte à apreensão em Bela Vista.
Depósitos na conta de policial e Pix para empresa de investigador
O Gaeco também encontrou três depósitos em espécie, sem identificação do depositante, na conta do investigador Nelson Ricardo Barros de Oliveira. Foram R$ 130 mil em 27 de agosto, R$ 33,8 mil em 30 de agosto e R$ 150 mil no início de setembro de 2024 — R$ 313,8 mil ao todo. Nelson havia integrado a equipe da apreensão de cocaína em Bela Vista, sob a chefia do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa.
Pouco mais de um mês depois, em 8 de outubro de 2024, Nelson transferiu R$ 130 mil por Pix à Ateliê Raro Fabricação e Comércio de Móveis, empresa da qual o investigador Douglas Tobias é sócio. Douglas também participou da ação em Bela Vista. Para o Ministério Público, o uso da pessoa jurídica poderia dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro.
Nas contas pessoais de Douglas e da Ateliê Raro, os investigadores identificaram ainda depósitos cuja origem, segundo a representação, não foi esclarecida: R$ 350.485 na conta do policial e R$ 151.643,50 na conta da empresa.
Transferências de Hoffman e pagamentos ligados a PM
A Ateliê Raro também recebeu R$ 75 mil do delegado Hoffman em 2025. Foram três Pix de R$ 25 mil, realizados em 14 de agosto, 8 de setembro e 29 de outubro, conforme os extratos reproduzidos pelo Gaeco.
Outra linha de pagamentos envolve o policial militar Alison Lemes Bezerra, chamado de “Daguinha”. O Gaeco afirma que, entre março de 2024 e julho de 2025, “LK” enviou cerca de R$ 350 mil a contas de Alessandra Lemes Bezerra Machado, irmã de Alison; de empresas das quais ela é sócia; e de Celso Gomes Machado, ex-companheiro e sócio de Alessandra.
A representação discrimina R$ 49,2 mil enviados diretamente a Alessandra, R$ 114 mil à empresa Machado & Bezerra, R$ 77 mil à Lotérica Pontalina e R$ 112 mil a Celso. O Gaeco suspeita que as contas tenham sido usadas para ocultar pagamentos destinados ao PM, investigado também por consultas a sistemas restritos feitas em benefício de “LK”. Os extratos identificam os destinatários das transferências; a conclusão de que Alison era o beneficiário final é da investigação.
Gastos com casa também são questionados
O pedido examina ainda a evolução patrimonial de Hoffman. Em planilhas encontradas nos dados do delegado, o Gaeco identificou R$ 1.649.085,33 em despesas previstas com uma residência em construção em Campo Grande. Desse total, R$ 1.213.082,65 constavam como pagos.
O Ministério Público compara esses pagamentos com os aproximadamente R$ 519 mil em rendimentos declarados por Hoffman no ano-calendário de 2025. Também questiona um empréstimo de R$ 750 mil informado na declaração de imposto de renda do delegado: o Gaeco afirma não ter localizado a entrada correspondente desse valor nos extratos examinados. O empréstimo declarado não é apresentado como uma transferência bancária comprovada de R$ 750 mil.
A Operação Infiltrados foi deflagrada na quinta-feira (24) para investigar o suposto desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança e sua revenda a traficantes. Hoffman se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil naquele dia e ficou preso. Ao TopMídiaNews, seu advogado, Amilton Ferreira, afirmou na ocasião que ainda não tinha acesso aos autos e que pretendia pedir a revogação da prisão.

