Funcionários do Hotel Real, em Cáceres (MT), tentaram impedir o feminicídio da patroa Noeli Simsen quando o ex-companheiro dela, o policial civil aposentado Ricardo de Souza Pessoa, chegou ao local na terça-feira (29) armado com um revólver. Segundo os colaboradores, o suspeito teria apontado o revólver a eles quando tentavam barrar a entrada dele ao local. Foram também os funcionários que encontraram Noeli morta e tentaram prestar os primeiros socorros.
Ricardo de Souza Pessoa se entregou a polícia e confessou o crime no mesmo dia. Ele teve prisão em flagrante convertida em preventiva pelo pelo juiz Antonio Carlos Pereira de Sousa Junior, da 2ª Vara Criminal de Cáceres, ao passar por audiência de custódia na tarde desta terça-feira (29).
Documentos obtidos pelo Primeira Página apontam que Noeli, que havia voltado ao Brasil há poucas semanas após uma viagem para a França. Ela tinha intenção de vender o hotel quando voltasse ao Brasil.
No dia do crime, Noeli chegou ao Hotel demonstrando ansiedade e pediu aos funcionários que, caso Ricardo aparecesse, para que não desligassem as câmeras de monitoramento do local.
Pouco tempo depois, Ricardo chegou ao local e passou pela recepção do Hotel armado, e ameaçou os colaboradores que tentaram impedir que ele subisse ao andar em que ficava o quarto onde Noeli estava hospedada, após ela sair da casa do casal devido a separação.
Enquanto funcionários tentavam ligar para Noeli, para alertá-la de que não abrisse a porta, outros acionavam a Polícia Militar e Civil.
Uma funcionária chegou a seguir Ricardo e pedir “pelo amor de Deus” que ele não fizesse nada contra a patroa, mas ele apontou a arma na direção dela e mandou que “ficasse na dela”.

Funcionários ouviram o primeiro disparo de arma de fogo. Em seguida, mais três disparos. Quando correram, viram Ricardo na janela do quarto que Noeli estava. Ao sair do local, ele ainda apontou a arma para uma funcionária e disse: “Sai da frente, senão eu atiro em você também”.
Em seguida, ele saiu correndo, entrou em um caminhonete e fugiu do local. Na sequência funcionários foram até o quarto 19 e encontraram Noeli gravemente ferida, com intenso sangramento e perdendo os sinais vitais.
Os funcionários ainda tentaram salva-la estancando o ferimento com toalhas. Alguns minutos depois, equipes da Polícia Militar chegaram ao local, seguidas do Corpo de Bombeiros. Contudo, a vítima já se encontrava em óbito.
Na sequência, Ricardo foi até a delegacia de polícia, confessou o crime e entregou a arma que teria usado, um revólver calibre 38. O delegado o manteve preso e enviou equipes ao local, onde foi constatado o crime.

Vítima era humilhada na frente de funcionários e hóspedes
Em depoimento a Polícia Civil, testemunhas afirmaram que Noeli era constantemente agredida verbalmente por Ricardo. Um dos funcionários do Hotel mencionou que o investigado costumava proferir ofensas contra a vítima, chamando-a de “vagabunda” e afirmando que ela estaria se oferecendo aos clientes.
Nestas ocasiões, Noeli ficava constrangida ao ouvir o que o esposo falava e, a fim de evitar novas humilhações, deixava o hotel e retornava para casa.
Ela também comentava que poderia estar sendo monitorada ou rastreada por ele. Com medo do que o ex-marido poderia fazer, ela compartilhava localização do celular em tempo real com amigas.

