Trocas de mensagens entre Noeli Simsen, de 50 anos, e o ex-marido, o policial civil aposentado Ricardo de Souza Pessoa, de 63 anos, indicam que ela teria sido agredida e ameaçada ao longo do relacionamento entre os dois. A mulher foi encontrada morta com disparos de arma de fogo em um dos quartos do Hotel Real, que era de sua propriedade, na tarde de segunda-feira (28), em Cáceres (MT).
Prints de tela do celular de Noeli em conversas com o ex-marido Ricardo, a quem estava separada há algum tempo, mostram que a mulher tinha medo do ex-companheiro, algo mencionado por ela em diversos trechos de mensagens, e que ele demonstrava comportamento agressivo durante discussões do casal que ocorreram presencialmente ao longo do relacionamento.
Em uma das imagens obtidas pelo Primeira Página, é possível visualizar que Noeli escreveu que tinha medo de ser morta por Ricardo durante um surto e também relatou em diversas mensagens que já havia sido agredida anteriormente por ele, motivado por ciúmes.
“Fora as outras agressões ao longo dos anos. Fora a vez que você tentou me sufocar com um travesseiro e eu tive que dormir no chão do banheiro de um hotel em plenas férias”, diz trecho. Em resposta ele dizia ter se arrependido das atitudes.
Ela também cita que já foi agredida com tapa, empurrão, e que em certa ocasião Ricardo jogou o celular no rosto dela. Em resposta, o ex-marido tentava justificar as agressões e minimiza-las, acrescentando que queria reatar o relacionamento e que ainda a amava.

Em diversas passagens Noeli relata medo. Ela expõe uma ocasião em que Ricardo teria colocado uma arma em sua cabeça e efetuado disparos dentro de casa. Em outra mensagem ela diz que já foi agredida após o marido sentir ciúmes de um pedreiro e de um garçom.
“O que eu sei é que vivi os piores momentos da minha vida sendo ameaçada todos os dias. Sendo rastreada, controlada e xingada como se fosse um bicho Eu não tenho psicológico para ficar perto de você, já falei que o sentimento que tenho hoje por você é medo”, finaliza uma das mensagens.

Em outros trechos das trocas de mensagens, Noeli menciona que o marido queria controlar as roupas que ela usava, as pessoas com quem poderia falar, e até o local onde ela poderia fazer academia.
A mulher explica ao ex-marido que ao longo do tempo foi acumulando medo e que sua decisão pelo término era definitiva, e recomendava que ele também seguisse a vida em paz. “Eu vou refazer a minha e vai ficar tudo bem”, disse.

As imagens devem ser utilizadas para embasar as investigações no inquérito policial do caso. Apesar da prisão de Ricardo de Souza Pessoa na segunda-feira (28), o caso segue investigado. Ao final da conclusão do inquérito a Polícia Civil deve decidir pelo indiciamento ou não do suspeito.
Feminicídio em hotel
Dona do hotel onde estava morando desde a separação, Noeli Simsen, de 50 anos, foi morta com quatro tiros nesta segunda-feira (28), em Cáceres (MT). Ela havia retornado na semana passada de uma viagem à França. O marido, um policial civil aposentado de 63 anos, é suspeito do crime e, segundo a polícia, confessou ter feito os disparos.

O delegado Higo Rafael, da Delegacia Regional de Cáceres, informou ao Primeira Página que Ricardo Souza, ex-marido de Noeli, se apresentou espontaneamente à polícia e confessou ter feito os disparos.
Ele também entregou o revólver calibre 38 usado no crime, que, conforme a polícia, estava registrado em nome da vítima. Na casa do suspeito, foram apreendidas quatro armas, entre elas um fuzil.

Os dois não tinham filhos. Noeli era proprietária do Hotel Real, onde foi encontrada morta e estava morando em um dos quartos após a separação. Ela havia voltado recentemente de uma viagem internacional pela França e chegou ao Brasil na semana passada.
De acordo com o delegado, o suspeito informou que os dois tiveram um relacionamento de 27 anos e estavam separados havia cerca de cinco meses. Ao ser questionado sobre a motivação do crime, o suspeito disse que não aceitava a separação.

Ricardo teve prisão em flagrante convertida em preventiva pelo pelo juiz Antonio Carlos Pereira de Sousa Junior, da 2ª Vara Criminal de Cáceres, ao passar por audiência de custódia na tarde desta terça-feira (29).
A reportagem tenta contato com a defesa do suspeito do crime para um posicionamento. Espaço segue aberto para manifestações.

