A internação provisória de cinco adolescentes investigados pela morte de Lívia Cioca Ferreira, de 13 anos, voltou a ser discutida na Justiça. Um recurso apresentado ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) tenta reverter a decisão que determinou a liberação dos adolescentes após o fim do prazo da medida cautelar.
O caso envolve uma investigação que se estendeu por diferentes estados brasileiros e apontou a existência de grupos organizados em plataformas digitais. Conforme as apurações, esses grupos teriam divisão de tarefas e hierarquia, além de envolvimento em práticas de violência psicológica, automutilação, crueldade contra animais e indução de adolescentes vulneráveis ao suicídio.
O recurso, apresentado pelo MPMS, pede que a internação seja restabelecida até a conclusão do processo socioeducativo. Entre os argumentos estão a gravidade dos fatos, a complexidade das investigações e a proximidade da sentença.
A investigação exigiu análise de grande quantidade de material digital, cooperação entre órgãos de diferentes estados e até atuação internacional, além de perícias técnicas. Segundo o MPMS, o tempo necessário para concluir as diligências ocorreu pela necessidade de individualizar a participação de cada adolescente e reunir provas.
Novos investigados
Durante o avanço das investigações, o número de adolescentes envolvidos no caso também aumentou. Na primeira fase, cinco adolescentes foram apontados como integrantes ou administradores dos grupos virtuais conhecidos como “PROXY” e “SNAK4”.
Posteriormente, uma segunda representação incluiu outros seis adolescentes, localizados em diferentes estados, que são investigados por suposta participação na manutenção, administração e organização das atividades dos grupos.
Conforme as representações, os ambientes virtuais eram utilizados para transmissões ao vivo e desafios envolvendo violência, pressão psicológica e comportamentos autodestrutivos.
As investigações apontam ainda que Lívia teria sido submetida a sucessivos constrangimentos e instigações nas plataformas digitais antes do ato que resultou em sua morte, em junho deste ano.
Também foi identificada a participação dos grupos em um episódio de maus-tratos contra um animal que teria sido transmitido pela internet.

