quarta-feira, novembro 4, 2026

‘Paguei R$ 200 para não morrer’: falta de insulina obriga diabético a comprar em Campo Grande

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A falta recorrente de medicamentos na rede pública de saúde voltou a gerar revolta em Campo Grande. Sem encontrar insulina no posto de saúde, um paciente diabético precisou gastar mais de R$ 200 do próprio bolso para continuar o tratamento e evitar complicações graves.

O desabafo é de Valdemar Carvalho Lima, de 56 anos, que depende de insulina diariamente para controlar a diabetes. Segundo ele, mesmo após consulta médica, foi informado no posto de saúde do bairro Tarumã de que o medicamento não estava disponível, situação que, segundo relata, já se tornou rotina.

“Minha diabetes estava 426. A médica disse que a farmácia estava abastecida, mas quando cheguei lá, não tinha nada. Tive que pagar duzentos e poucos reais em remédio para não morrer”, afirmou.

Valdemar faz uso de duas insulinas diferentes, NPH e regular, aplicadas três vezes ao dia. Sem o medicamento, o risco é imediato. “Não dá para esperar. Quem é diabético sabe. Se não tomar, passa mal, pode entrar em coma”, disse.

De acordo com o paciente, os funcionários do posto informaram que o reabastecimento poderia ocorrer “amanhã ou depois”, promessa que ele afirma já ter ouvido outras vezes. “Nessas promessas eu não acredito mais. É só Deus”, desabafou.

A revolta vai além do caso individual. Valdemar afirma que a falta de medicamentos é uma reclamação frequente entre pacientes da rede pública. “Não é só eu que reclamo. É a população inteira de Campo Grande. A gente paga imposto caro, IPTU aumentando, rua toda esburacada, e quando precisa do básico, não tem”, criticou.

Sem alternativa, ele comprou as insulinas na rede privada, mesmo com dificuldades financeiras. “Paguei 200 reis. O dinheiro faz falta, mas a vida faz mais. Paguei porque precisava sobreviver”, resumiu.

A reportagem entrou em contato com à Secretaria Municipal de Saúde para cobrar esclarecimentos sobre a falta do medicamento e questionar quais medidas estão sendo adotadas para garantir o fornecimento regular de insulina, item essencial e de uso contínuo para milhares de pacientes na Capital, mas não tivemos resposta até o fechamento.

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