Um T-Cross Highline que pertencia ao policial militar Alison Lemes Bezerra, conhecido como “Daguinha”, passou a integrar a investigação da Operação Infiltrados após aparecer em documentos e arquivos encontrados nos dados de Lucas da Silva dos Santos, o “LK”. Segundo o Gaeco, Alison repassou o veículo a Lucas, que afirmou em um áudio que o carro tinha um compartimento oculto, chamado de “mocó”.
O pedido de prisão apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) reúne três elementos datados de 28 de maio de 2025: uma consulta ao valor do T-Cross na tabela Fipe, uma autorização digital de transferência de propriedade e fotografias do veículo no endereço de “LK”.
No documento de transferência reproduzido na representação, Alison aparece como vendedor e Lucas como comprador, pelo valor declarado de R$ 100 mil. A consulta à Fipe indicava avaliação de aproximadamente R$ 105,8 mil. As fotos, de acordo com o Gaeco, mostram o mesmo T-Cross prateado na residência de Lucas.
O áudio também teria sido enviado por “LK” naquela data. Nele, Lucas diz que estava com um T-Cross Highline e menciona a existência de um “mocó”. Para os investigadores, o termo faz referência a um espaço escondido que poderia ser usado para transportar drogas sem deixá-las à vista.
O documento de transferência, as fotos e o áudio sustentam a suspeita apresentada pelo Gaeco. O pedido não descreve, nesse trecho, uma perícia no carro que confirme a estrutura do compartimento nem uma apreensão de drogas dentro dele. Também não demonstra, apenas com esses registros, que o T-Cross tenha sido efetivamente usado para transportar entorpecentes.
Relação entre o PM e “LK”
O veículo é um dos elementos usados pelo Ministério Público para investigar a proximidade de Alison com Lucas. A representação aponta que o policial militar teria ajudado “LK” a obter informações de sistemas restritos da segurança pública sobre pessoas e veículos ligados a carregamentos de drogas.
Auditorias mencionadas no pedido atribuem a Alison consultas feitas em maio de 2025 sobre um homem e um Gol que Lucas queria monitorar. O Gaeco suspeita que esses dados tenham servido para localizar drogas de outros traficantes, que seriam alvo do grupo investigado.
A investigação também analisa pagamentos de Lucas a pessoas e empresas ligadas à família do PM. Segundo o pedido de prisão, aproximadamente R$ 350 mil foram transferidos, entre março de 2024 e julho de 2025, para contas de Alessandra Lemes Bezerra Machado, irmã de Alison, de empresas das quais ela é sócia e de Celso Gomes Machado, ex-companheiro e sócio de Alessandra. Para o Gaeco, Alison seria o beneficiário dos repasses; os extratos identificam os destinatários das operações, enquanto essa finalidade é uma conclusão da investigação.

