segunda-feira, setembro 28, 2026

Suplentes de senador têm duas das maiores fortunas de MS; dupla tem patrimônio treze vezes maior que o titular

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As chapas ao Senado em MS reúnem um dono de fazendas de R$ 18 milhões, um sócio de jornal e de rádio e um senador em exercício registrado como suplente de outro candidato.

Rankings de bens de candidatos costumam listar apenas os titulares. Em Mato Grosso do Sul, isso deixa de fora o quarto e o nono maiores patrimônios do estado, ambos suplentes de senador e na mesma coligação.

Juntos, os doze integrantes das quatro chapas ao Senado registradas até 4 de agosto declararam R$ 94,5 milhões à Justiça Eleitoral, segundo o sistema DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral.

Na chapa de Capitão Contar, por exemplo, os dois suplentes juntos declaram treze vezes o patrimônio do titular: R$ 22,28 milhões contra R$ 1,66 milhão.

Suplente de senador não faz campanha própria, não tem teto de gastos próprio e raramente aparece na cobertura eleitoral. Porém, herda o mandato de oito anos em caso de vacância do titular.

Claudio Mendonça (PP), 1º suplente da chapa de Capitão Contar (PL), declarou R$ 18,22 milhões, o quarto maior patrimônio de MS, atrás apenas de Reinaldo Azambuja, Zé Teixeira e Paulo Corrêa, e acima do que declarou o governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição.

A declaração lista duas fazendas em Nioaque, uma avaliada em R$ 6.002.085,42 e outra em R$ 4.948.264,50, ambas declaradas como participação de 50%; 1.139 cabeças de gado, no valor de R$ 3.075.300,00; 70% de uma fazenda em Terenos (R$ 1.404.610,32); e R$ 1,23 milhão em créditos a receber. Ele se declara economista. Sua única candidatura anterior registrada no TSE foi a vice-prefeito de Campo Grande, concorrendo junto de Rose Modesto em 2016, pelo então PR, não eleito.

Na chapa de Azambuja, o 2º suplente Felipe Mattos (União Brasil) declarou R$ 10,46 milhões. Deste total, R$ 6 milhões estão concentrados em um único imóvel urbano; o restante inclui outros cinco imóveis urbanos, 1/7 de um imóvel rural, dois consórcios (R$ 573 mil e R$ 246,8 mil), um seguro de vida de R$ 434,5 mil, uma BMW X4 de R$ 490 mil, uma Dodge Ram de R$ 320 mil e cotas de quatro empresas, entre elas o Hotel Laguna (R$ 200 mil). Advogado, ele não tem registro de candidatura anterior na base do TSE.

Cotas de jornal e de rádio na chapa

O 2º suplente da chapa de Capitão Contar, Luciano Barbosa Rodrigues (PP), declarou R$ 4,06 milhões, e 80% desse valor são participações societárias em veículos de comunicação: R$ 1.773.200,00 em “quota de capital Rádio Cultura de Campo Grande” e R$ 1.486.842,39 em “quota de capital Correio do Estado”, conforme a descrição que ele próprio apresentou ao TSE.

A Constituição veda a deputados e senadores firmar ou manter contrato com concessionária de serviço público (art. 54, I, “a”) e ser proprietário, controlador ou diretor de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público (art. 54, II, “a”). A radiodifusão é serviço público concedido pela União (art. 21, XII, “a”).

A vedação, porém, incide sobre o exercício do mandato, não sobre o registro da candidatura, um suplente só é alcançado se e quando assumir. Não há, portanto, irregularidade no pedido de registro. A questão só se coloca em caso de posse.

Administrador, Luciano Barbosa Rodrigues também não tem candidatura anterior registrada no TSE.

Um senador em exercício como suplente de outro

O senador Nelsinho Trad (PSD), eleito em 2018 pelo então PTB e prefeito de Campo Grande em dois mandatos, a partir de 2004 e 2008, está registrado como 1º suplente da chapa de Reinaldo Azambuja. Declarou R$ 3,17 milhões, distribuídos em 22 bens, entre eles uma casa em Campo Grande de R$ 1,08 milhão e lotes na capital.

Trad também disputou o governo do estado em 2014, pelo então PMDB, sem sucesso.

Azambuja e Contar disputam pela mesma coligação, “Fazendo o Futuro Acontecer”, que reúne PL, Federação União Progressista (União Brasil e PP), Republicanos, Federação PSDB/Cidadania, PSD, MDB, Podemos e Avante, o mesmo bloco que registrou, na tarde de 4 de agosto, a chapa do governador Eduardo Riedel (PP) à reeleição, com Barbosinha (Republicanos) como vice.

O que ainda pode mudar?

A lista é provisória. O prazo para o requerimento dos registros só se encerra às 19h de 15 de agosto.

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