Autoridades britânicas afirmaram que ainda investigavam as possíveis motivações para o incidente nas proximidades da RAF Fairford, uma base britânica que abriga bombardeiros americanos empregados em missões contra o Irã.
No fim da tarde (no horário local), a polícia britânica informou que liberou sob fiança os cinco homens, embora eles ainda estejam sob investigação.
Laurence Taylor, chefe da Polícia Antiterrorista, disse que os policiais estavam investigando todos os ângulos após o incidente na base da RAF em Fairford, “incluindo que isso pode ter sido ativamente cometido por procuradores ou indivíduos, consciente ou inconscientemente, trabalhando em nome de um Estado estrangeiro.”
Uma fonte a par da investigação afirmou que uma motivação ligada ao Irã era considerada a hipótese mais provável, embora uma operação de sabotagem russa ou um plano de extremistas islâmicos também estivessem sendo examinados como possibilidades.
A embaixada do Irã em Londres publicou nota no X dizendo que “rejeita categoricamente e condena veementemente” o que chamou de “especulações maliciosas e infundadas” de que Teerã tinha conexão com o incidente.
Os policiais detiveram os homens na madrugada de domingo, após receberem de uma agricultora local a informação de que três grandes vans brancas seguiam em direção ao aeródromo militar no oeste da Inglaterra. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que a base era um alvo legítimo.
Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a polícia afirmou ter várias novas linhas de investigação após examinar o local durante a noite. Agentes antiterrorismo interrogavam os cinco homens, todos com idades entre 23 e 25 anos.
Vicki Evans, coordenadora nacional sênior da Polícia Antiterrorismo, disse estar ciente das especulações sobre a motivação e das questões geopolíticas levantadas, mas pediu que fosse dado à polícia “espaço para trabalhar com cuidado e clareza”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que os suspeitos pretendiam causar “grandes danos”.
Trump disse que os suspeitos estavam sendo investigados pelas autoridades britânicas e americanas, mas a imprensa do Reino Unido levantou dúvidas sobre até que ponto eles estavam sob vigilância, considerando o quanto conseguiram se aproximar da base.
A fonte a par da investigação disse que as prisões não foram “baseadas em informações de inteligência”, embora a segurança na base tivesse sido reforçada, o que sugere que as autoridades estavam cientes de uma ameaça maior.
A agricultora, que alertou a polícia depois de ver um grupo de “homens encapuzados e mascarados” correndo para os campos, disse à rádio BBC acreditar que somente sua ligação para o número de emergência 999 “frustrou quaisquer que fossem os planos deles”.
O ministro da Defesa, Wes Streeting, disse à BBC que a agricultora, cuja identidade não foi revelada, tinha apenas uma “visão parcial” da investigação, sem dar mais esclarecimentos.
Ele afirmou que não especularia sobre motivações enquanto a investigação estivesse em andamento, mas observou que o Reino Unido enfrentava uma ameaça geral vinda do Irã: “Sabemos que o Irã e seus grupos aliados querem nos causar danos. Sabemos que eles odeiam nossa democracia e sabemos que temos de frustrar regularmente tentativas iranianas de ameaçar nossos interesses ou, de fato, nossos aliados”.
Em abril, o Reino Unido elevou de “substancial” para “grave” o nível nacional de ameaça terrorista após uma série de incidentes antissemitas no norte de Londres, indicando que um ataque terrorista dentro de seis meses era considerado altamente provável.
A polícia disse estar investigando ligações com o Irã em muitos dos incidentes nos quais foram atacados imóveis ligados à comunidade judaica ou a dissidentes iranianos.
Em maio, o Reino Unido impôs sanções a 12 indivíduos e entidades ligados ao Irã, acusando-os de envolvimento em atividades hostis, incluindo o planejamento de ataques e a prestação de serviços financeiros a grupos que buscavam desestabilizar o Reino Unido e outros países. O Irã negou repetidamente qualquer envolvimento em ataques ou conspirações no Reino Unido e em outros lugares.
Em resposta às prisões em Fairford, a Embaixada dos EUA emitiu um alerta de segurança recomendando que os cidadãos americanos “tenham cautela” e “estejam atentos à segurança pessoal”.
“Instalações, reuniões e organizações ligadas aos EUA podem estar sob risco elevado”, dizia o comunicado. A segurança também foi reforçada em outras bases aéreas americanas no Reino Unido.
O governo britânico havia autorizado os EUA a usar bombardeiros baseados em Fairford para atacar instalações de mísseis iranianos que estavam atingindo navios no estreito de Hormuz.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, disse que realizaria uma reunião governamental de emergência após o episódio.
Burnham disse à rádio LBC que iria presidir uma reunião “apenas para ter certeza de que temos o quadro completo, a situação completa, muito claramente em nossa visão”.
As reuniões do Cobra são realizadas para discutir como o governo responde a situações de emergência e reúnem ministros, policiais e oficiais de inteligência.
A Guarda Revolucionária iraniana havia advertido o Reino Unido, em julho, a não permitir que bombardeiros americanos decolassem de Fairford, afirmando que qualquer base usada para lançar ataques seria um alvo legítimo.
Em Fairford, a polícia estabeleceu um perímetro de isolamento de 400 metros ao redor da base e retirou moradores de 85 residências.
No domingo, um robô antibombas foi visto operando ao redor das três vans brancas, enquanto a segurança da base era reforçada. Policiais armados montaram guarda na entrada principal, e máquinas de grande porte foram usadas para bloquear outros pontos de acesso.
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