A decisão do cantor Leonardo de ficar sem consumir bebidas alcoólicas após alterações identificadas em exames de rotina chamou atenção para um problema que muitas vezes não provoca sintomas: a elevação dos triglicérides.
Os triglicérides são um tipo de gordura presente no sangue e fazem parte do metabolismo energético do organismo. Quando aparecem em níveis elevados, podem estar associados a alterações metabólicas e ao aumento do risco cardiovascular, especialmente quando estão acompanhados de outros fatores de risco.
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, inclui a hipertrigliceridemia entre as alterações relacionadas à saúde cardiovascular.
O que pode aumentar os triglicérides?
A alimentação é um dos fatores que podem influenciar os níveis. O consumo excessivo de açúcares e carboidratos refinados, além do excesso de calorias, pode contribuir para a elevação dos triglicérides.
Bebidas alcoólicas também merecem atenção. O álcool é metabolizado pelo fígado e pode favorecer a produção de triglicérides, especialmente quando seu consumo ocorre junto a uma alimentação rica em açúcares e carboidratos.
Segundo a cardiologista Fabíola Siqueira, os triglicérides elevados também podem estar associados à síndrome metabólica, conjunto de alterações que pode envolver excesso de peso, alterações na glicose e redução do HDL, conhecido popularmente como colesterol “bom”.
Acima de 150 mg/dL exige atenção
De forma geral, valores de triglicérides a partir de 150 mg/dL são considerados elevados ou alterados em diferentes referências clínicas. A interpretação, entretanto, deve levar em conta o contexto do paciente, os demais resultados do exame e a avaliação médica.
Por isso, um resultado isolado não deve ser analisado sem considerar outros fatores, como alimentação, peso corporal, nível de atividade física, glicemia, colesterol e histórico familiar.
Álcool não é o único fator
A relação entre triglicérides e álcool não significa que apenas deixar de beber seja suficiente para normalizar os exames.
Uma rotina com excesso de refrigerantes, bebidas açucaradas, doces, massas, pães e outros alimentos ricos em carboidratos pode contribuir para a alteração. O sedentarismo e o ganho de peso também podem participar desse processo.
A orientação médica, portanto, costuma envolver uma mudança mais ampla no estilo de vida, com alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do peso, além da redução de fatores que possam elevar os triglicérides.
Caso de Leonardo chama atenção para os exames de rotina
Leonardo, de 62 anos, vem relatando publicamente um período sem consumir bebidas alcoólicas. Em publicação recente, sua esposa, Poliana Rocha, comentou que a pressão arterial do cantor apresentou melhora depois de 23 dias sem beber.
O episódio reforça a importância dos exames de rotina e do acompanhamento médico, mas não permite concluir, isoladamente, que uma única mudança seja responsável por determinado resultado de saúde.
Triglicérides elevados podem ter diferentes causas e devem ser avaliados dentro do conjunto de hábitos, condições metabólicas e histórico de cada pessoa. Quando identificada uma alteração, a recomendação é buscar orientação profissional para definir quais mudanças são necessárias e se há indicação de tratamento específico.

