A presença de javalis e javaporcos em Mato Grosso do Sul tem causado prejuízos a produtores rurais e já impacta cerca de 2 mil hectares no estado. Dados do Painel de Monitoramento de Suiformes da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) apontam 690 animais avistados, com registros concentrados principalmente em áreas agrícolas.
O avanço dos animais preocupa o setor produtivo porque afeta lavouras, aumenta os custos no campo e, em alguns casos, já levou produtores a substituir o cultivo de milho pelo sorgo para reduzir perdas.
Segundo a Aprosoja/MS, os ataques foram registrados durante a segunda safra de milho 2025/2026. Na região Oeste, produtores relataram danos provocados por javalis e seus híbridos, conhecidos como javaporcos.
Mesmo com os prejuízos pontuais, o cenário da safra segue positivo. O levantamento do Projeto SIGA-MS mostra que 69% das lavouras estão em boas condições, enquanto 19,7% são classificadas como regulares e 11,3% como ruins.
Maioria dos registros de javalis está em áreas de produção
O painel mostra que 85,71% das ocorrências foram registradas em áreas destinadas à lavoura e pastagem. Outros registros ocorreram em áreas com reserva legal e Áreas de Preservação Permanente (APPs).
Dos 690 animais avistados, 472 são javaporcos e 218 são javalis. Entre os municípios com registros recentes aparecem Dourados, Antônio João, Jardim, Nioaque, Rio Brilhante e Sonora. Sendo, a região de Dourados com maior concentração dos animais.

Além dos prejuízos às plantações, os suiformes representam uma preocupação ambiental devido à facilidade de adaptação e reprodução, favorecendo a expansão da espécie em diferentes regiões do Estado.
Monitoramento busca medir a dimensão do problema
Para acompanhar a presença desses animais, a Aprosoja/MS mantém um painel gratuito de monitoramento. A ferramenta reúne registros georreferenciados enviados por produtores e moradores da zona rural.
Não é necessário identificar o proprietário nem a propriedade rural. Porém, o sistema exige o envio de imagens que comprovem o avistamento dos animais.

Segundo a entidade, o objetivo é reunir informações para identificar áreas afetadas, mapear a distribuição dos suiformes e contribuir para ações de monitoramento e formulação de políticas públicas.
Aprosoja/MS alerta para golpes
A entidade também emitiu um alerta após receber relatos de pessoas que estariam usando o nome da associação para oferecer serviços de eliminação de javalis mediante pagamento.
A Aprosoja/MS reforça que não possui equipes para captura, controle ou eliminação de javalis, não cobra por esse tipo de serviço e não autoriza terceiros a atuar em seu nome para realizar essas atividades.
A associação esclarece ainda que o painel de monitoramento tem finalidade exclusivamente informativa e não deve ser interpretado como incentivo à caça. Qualquer medida de controle dos animais deve seguir as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.

Diante de abordagens suspeitas, a orientação é que produtores confirmem as informações pelos canais oficiais da entidade antes de realizar qualquer pagamento ou contratar serviços em nome da Aprosoja/MS.

