segunda-feira, abril 27, 2026

Garis em perigo: mortes e acidentes mostram desafios de coletores de lixo em Campo Grande

Date:

Share post:

O acidente que vitimou o trabalhador da coleta seletiva Cipriano Pereira Quinhones, 60 anos, na última quarta-feira (17), expõe novamente a rotina de riscos enfrentada pelos garis e coletores de lixo em Campo Grande.

A suspeita é de que Cipriano tenha sido atropelado pelo próprio caminhão da coleta, situação que não é inédita na categoria. A concessionária Solurb, responsável pelo serviço de limpeza urbana, afirma que tem intensificado cuidados e procedimentos de segurança para reduzir os perigos inerentes à profissão.

Em 17 de maio, outro trabalhador da Solurb foi atropelado pelo caminhão da empresa, enquanto fazia o serviço de coleta. Era por volta das 13h40, uma equipe da coleta finalizou o almoço e iniciou a rota do segundo turno, quando Matheus da Silva Espíndola, 26 anos, passou por momentos de desespero. 

“Tínhamos acabado de colocar as nossas coisas de volta no caminhão. Ao iniciar a coleta, eu achei que o caminhão ia reto, e fiquei no meio da rua, numa travessa, e o caminhão virou e bateu em mim. Caí no chão, bati a cabeça e quando estava levantando, o caminhão passou em cima de mim, principalmente a roda da frente”. 

Matheus quebrou oito costelas, clavícula, paleta, perfurou o pulmão, ficou cinco dias entubado e em torno de 22 dias internado na Santa Casa de Campo Grande. Quatro meses depois, o jovem segue se recuperando em casa, e sem poder trabalhar. 

Mesmo com o acidente, o jovem não critica a empresa, mas acredita que procedimentos mais rigorosos precisam ser adotados para evitar fatalidades. “Foi um descuido meu e da equipe toda, que não teve um aviso ou diálogo entre todos na hora da saída do caminhão, porque eu não conhecia o setor”, declarou.

Hoje ele recebe o suporte do sindicato e da Solurb, com auxílio em transporte para consultas médicas e sacolão. 

Choque

Matheus contou à reportagem que não conhecia Cipriano pessoalmente, mas que sempre via o funcionário nas ruas de Campo Grande. “Ele era da varrição e eu sou da coleta”, explica. 

Ele revela que ficou chocado com a notícia do falecimento do colega de trabalho, ao mesmo tempo em que recordou da própria situação. “Fiquei muito triste. Quando recebi essa mensagem fiquei em choque, e passou um filme na minha cabeça, do dia do meu acidente porque sofri, e lamento a morte do nosso companheiro de serviço que acorda todos os dias pra trabalhar, trazer o sustento de casa e não volta mais, na coleta de rua, a gente sabe se dá bobeira a gente não volta mais, porque é um trabalho muito arriscado e desvalorizado”, opina.

O caso

Cipriano Pereira Quinhones, 60 anos, morreu após ser atropelado durante limpeza de canteiro, na Avenida Duque de Caxias, na tarde da última quarta-feira (17). 

O trabalhador ficou gravemente ferido e equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) tentaram a reanimação, mas sem sucesso. Inicialmente, a suspeita era que um carro de passeio foi o responsável pelo atropelamento, mas investigações apontam que o idoso foi morto pelo próprio caminhão da Solurb. 
 

Bora Ouvir – Total 40 Graus
BORA OUVIR
PROGRAMAÇÃO TOTAL 40 GRAUS
🔴 AO VIVO AGORA
Clique em "Letra" para ver a letra da música atual
Canais Oficiais

Instagram

Siga e acompanhe as notícias

Seguir no Instagram

YouTube

Inscreva-se no canal

Inscrever-se no YouTube

TikTok

Siga e veja os vídeos

Seguir no TikTok
Barra Redes Sociais

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

73,500FansLike

Artigos relacionados