terça-feira, novembro 3, 2026

A maior ferrovia do mundo cruza oito fusos horários em sete dias de viagem

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Ferrovia Transiberiana é conhecida como a linha ferroviária contínua mais longa do mundo. Passa por oito fusos horários e pode levar até sete dias para ser percorrida de ponta a ponta.

CONSTRUÇÃO MONUMENTAL

Concluída em 1916, a ferrovia liga Moscou ao Extremo Oriente russo, em Vladivostok. No total, são cerca de 9.289 km de extensão.

Além de unir o país, a Transiberiana é um importante elo de conexão entre Europa e Ásia. A partir dela, existem rotas que seguem rumo à Mongólia, China e até Coreia do Norte.

Considerada um monumento histórico, a ferrovia teve papel estratégico durante grandes conflitos, incluindo a Segunda Guerra Mundial. Foi utilizada tanto pelas tropas alemãs quanto por judeus que fugiam da Europa em direção à Ásia.

Por atravessar regiões muito distintas, a Transiberiana cruza múltiplos climas e paisagens – de áreas mais acessíveis a zonas extremamente remotas. Entre os trechos mais desafiadores está a Sibéria, que passou a ser mais explorada, habitada e industrializada após a construção da ferrovia.

A importância da Transiberiana para a Rússia é enorme. Ela responde por cerca de 30% das exportações do país e é fundamental tanto para o transporte de cargas quanto para viagens domésticas.

Além disso, tornou-se um dos trajetos ferroviários mais famosos do mundo, atraindo diversos turistas. Segundo o Russia Beyond, o trem que percorre a rota clássica Moscou-Vladivostok transporta cerca de 200 mil passageiros por ano.

MANUTENÇÃO É O MAIOR DESAFIO

A manutenção dessa ferrovia gigantesca é um dos maiores desafios. Para garantir a estabilidade dos trilhos, a Rússia reforça a base da linha com isolantes térmicos e geossintéticos que protegem o solo dos impactos da geada e do degelo.

Todos os anos, milhares de quilômetros de trilhos são renovados e pontes antigas são substituídas. Em 2020, por exemplo, a Russian Railways (RZD) renovou 5.480,8 km de trilhos. Pontes e estruturas críticas também passam por inspeções com tecnologias modernas, com o monitoramento de drones, reduzindo a necessidade de interrupções no tráfego.

No rigoroso inverno russo, cercas de contenção e barreiras naturais ajudam a evitar o acúmulo de neve sobre os trilhos. Em algumas regiões, até o reflorestamento é usado estrategicamente para diminuir o impacto das tempestades de neve.

Hoje, a Ferrovia Transiberiana permanece como a espinha dorsal da rede ferroviária russa. Por isso, é considerada uma obra monumental que continua permitindo que milhões de pessoas atravessem o maior país do planeta.

Leia Também: Empresa chinesa começa produção em massa de robôs humanoides; assista

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