segunda-feira, novembro 2, 2026

Conselho de Saúde investiga ‘plantões fantasmas’ nas UPAs e estima prejuízo de R$ 2 milhões mensais

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O Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande protocolou uma representação no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), pedindo a abertura de auditoria para apurar suspeitas de irregularidades no pagamento de plantões médicos pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) durante a gestão Adriane Lopes (PP).

O pedido foi encaminhado ao presidente do tribunal, conselheiro Flávio Esgaib Kayatt.

A denúncia ganhou repercussão após reportagem publicada em junho de 2025 apontar a existência de uma suposta “máfia dos plantões fake” na rede municipal de saúde. Segundo as informações, médicos que ocupam cargos de direção técnica em unidades de urgência e emergência estariam recebendo, mensalmente, até 14 plantões sem cumprir efetivamente as escalas, limitando-se, em tese, à assinatura dos registros para justificar o pagamento.

De acordo com o Conselho, após receber a denúncia, a Mesa Diretora passou a cobrar explicações da Sesau por meio de diversos ofícios, solicitando documentos que comprovassem o controle de frequência, a fiscalização dos plantões e a regularidade dos pagamentos. No entanto, as respostas da secretaria teriam sido consideradas genéricas e sem apresentação de registros individualizados, relatórios de auditoria ou comprovação do efetivo trabalho realizado.

Ainda conforme o documento enviado ao TCE, depois das primeiras manifestações, a Sesau deixou de responder aos novos pedidos de esclarecimento. O Conselho também relata ter recebido uma denúncia anônima, que ampliou o número de profissionais citados, incluindo médicos e enfermeiros em cargos de gestão e aponta que as supostas irregularidades estariam ocorrendo de forma continuada desde 2020.

Com base em estimativas preliminares, o Conselho Municipal de Saúde calcula que, caso as irregularidades sejam confirmadas, o impacto financeiro possa chegar a cerca de R$ 2 milhões por mês. O valor, segundo o órgão, é apenas uma estimativa inicial e deverá ser confirmado por auditoria técnica.

Na representação, o Conselho pede que o TCE-MS instaure procedimento de fiscalização, analise os pagamentos de plantões feitos pela Sesau, inclusive de forma retroativa a 2020, e adote medidas corretivas e sancionatórias, caso sejam confirmadas irregularidades.

O Conselho destaca que o pagamento de plantões sem comprovação da prestação do serviço pode representar violação aos princípios da legalidade, moralidade e transparência, além de possível dano ao erário, já que os recursos são vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A reportagem procurou a prefeitura de Campo Grande para manifestação e aguarda retorno.

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