quinta-feira, novembro 5, 2026

Ex-servidor denuncia precarização, viaturas sucateadas e irregularidades no Samu de Campo Grande

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Um ex-servidor do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Campo Grande denunciou uma série de irregularidades na estrutura e na gestão do serviço, que, segundo ele, colocam em risco tanto os profissionais quanto a população atendida. O relato foi feito após o pedido de exoneração do trabalhador, que afirmou não suportar mais as condições de trabalho.

De acordo com o denunciante, que preferiu não ser identificado, há falta de treinamento adequado, ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs), viaturas em condições precárias e sobrecarga das equipes. Segundo ele, condutores socorristas estariam sendo contratados exigindo apenas CNH categoria D, sem capacitação técnica para atuação em atendimentos de urgência e emergência.

O ex-servidor relatou que desde o primeiro dia de trabalho, foi colocado em atendimento nas ruas sem treinamento prévio e sem uniforme. Em uma das ocorrências, atendeu uma vítima com fratura e ficou com os braços cobertos de sangue, sem equipamentos adequados para proteção.

“Aprendi o serviço na prática, com ajuda dos técnicos, porque não havia capacitação”, afirmou.

Outro ponto grave citado é a condição da frota. Segundo o relato, diversas viaturas apresentam problemas mecânicos e não possuem contrato de manutenção.

Em seu último plantão, o denunciante afirma ter participado do transporte de uma paciente com suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC) dentro da chamada “janela terapêutica”, utilizando uma ambulância que não ultrapassava 20 km/h.

“Existem viaturas novas paradas na base, enquanto equipes são obrigadas a sair com veículos antigos e sucateados”, disse.

Ainda conforme a denúncia, profissionais do SAMU estariam sofrendo assédio moral e ameaças de exoneração ao questionarem as condições de trabalho. O ex-servidor afirma que já deu entrada em unidades de saúde com pressão arterial elevada em decorrência do estresse e que faltas médicas são frequentes entre os trabalhadores

O denunciante também apontou suposto uso irregular das ambulâncias para fins pessoais, como compras, visitas a familiares e entregas. 

O ex-servidor declarou que decidiu tornar o caso público por temer pelas consequências para a população. “Se ninguém investigar, muita gente ainda vai sofrer quando precisar do Samu”, alertou.

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para se manifestar sobre as denúncias envolvendo gestão, frota, condições de trabalho e atendimento à população. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

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