quarta-feira, novembro 4, 2026

Falta de anestesista na Santa Casa deixa criança de 8 anos à espera de procedimento

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A falta de anestesistas na Santa Casa de Campo Grande tem provocado o cancelamento de procedimentos e deixado pacientes à espera de atendimento, entre eles uma criança de 8 anos que aguarda, há dias, a realização de uma radiointervenção considerada essencial para o tratamento de uma pneumonia grave.

Segundo relato da família ao jornal TopMídiaNews, o procedimento foi cancelado pelo menos duas vezes, na segunda (12) e na terça-feira (13), devido à ausência de anestesistas no hospital. A informação repassada à família é de que profissionais da área estariam com pagamentos atrasados, o que teria reduzido drasticamente o número de anestesistas em atuação, por uma mobilização da categoria. Atualmente, apenas quatro estariam atendendo em toda a unidade, o que inviabilizou a realização de cirurgias eletivas e procedimentos de radiointervenção.

A radiointervenção é uma especialidade que utiliza de exames de imagem, como ultrassom, tomografia e raio X) para guiar procedimentos minimamente invasivos, mas que ainda sim precisam de anestesia, e do profissional a todo momento durante o processo. A expectativa agora é de que o atendimento seja realizado por meio de um encaixe.

O caso se arrasta desde dezembro de 2025. Inicialmente, a criança deu entrada em uma unidade de pronto atendimento, onde não havia antibiótico disponível para o início do tratamento. Sem ambulância para transferência, a família precisou levar o menino por meios próprios até o Hospital Regional, onde ele ficou internado por cerca de 20 dias. Durante esse período, passou pela área vermelha, CTI (Centro de Terapia Intensiva) e, posteriormente, enfermaria, até que os médicos decidiram pela necessidade da radiointervenção.

Como o Hospital Regional não disponibilizava de material nem estrutura para realizar o procedimento, o paciente foi transferido para a Santa Casa. No entanto, ao chegar à unidade, a família se deparou com a falta de anestesistas.

“Você para tudo para cuidar do seu filho 24 horas no hospital e, quando chega a hora do procedimento, não tem profissional para fazer. A população fica esquecida pelo poder público”, desabafou o pai, Márcio André da Silva, de 42 anos. 

A família registrou reclamação junto ao SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) da Santa Casa, e aguarda retorno dos setores responsáveis. Também há queixas de desabastecimento de medicamentos em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento Comunitário), o que, segundo os relatos, tem agravado ainda mais a situação dos pacientes.

A reportagem tentou contato com a Santa Casa de Campo Grande e aguarda retorno.

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