terça-feira, abril 28, 2026

Autoridades da Índia monitoram reaparecimento do vírus Nipah

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Autoridades sanitárias da Índia monitoram nos últimos dias um surto do vírus Nipah na província de Bengala Ocidental, onde cinco casos foram confirmados entre profissionais de saúde de um hospital.

Cerca de 100 pessoas foram postas em quarentena nessa unidade de saúde, segundo a agência de Reuters, que também noticiou que países vizinhos ─ Tailândia, Nepal e Taiwan ─ aumentaram as medidas sanitárias de precaução em aeroportos.

O Nipah já foi identificado outras vezes no Sudeste da Ásia. Segundo a Organização Mundial da Saúde, ele foi descoberto em 1999, em um surto entre criadores de porcos na Malásia, e é detectado com regularidade em Bangladesh e na Índia.

Consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Benedito Fonseca explicou, em entrevista à Agência Brasil, que a incidência desse vírus se repete na Índia por causa de fatores ambientais e culturais e que as formas de transmissão limitam seu alcance, se comparado a micro-organismos que causaram pandemias como a da covid-19 e de influenza.

Para o professor de infectologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), é pequeno o potencial do vírus se espalhar pelo planeta e causar uma nova pandemia.

O vírus é classificado como zoonótico, por ser transmitido principalmente de animais para humanos e também por comida contaminada. O reservatório natural desse vírus são espécies de morcegos que já foram encontradas em países asiáticos, como Camboja, Índia, Indonésia e Tailândia, e também na África, em Gana e Madagascar.

O Nipah pode ser transmitido pelo contato com os morcegos contaminados, fluídos de seus corpos ou frutas contaminadas por eles. Também foram relatados casos de transmissão entre seres humanos, no contato com secreções e durante o cuidado de pacientes infectados em ambientes hospitalares.

Fatores ambientais e culturais

Benedito Fonseca ressalta que o vírus reaparece com frequência em regiões da Índia, o que está ligado à presença dos morcegos, à flora da região e a hábitos alimentares da população.

“Nesta fase do ano, as tamareiras que existem nessa região dão uma seiva muito doce, que os morcegos adoram. Essa seiva é consumida também por pessoas, que geralmente tomam isso puro, sem ferver ou pasteurizar”.

O pesquisador descreve que a saliva do morcego contamina a seiva que, consequentemente, transmite o antígeno a quem a ingere.

“Outra possibilidade é que os morcegos se alimentam de frutas, e essas frutas contaminadas, seja pela urina, seja pelas fezes ou pela saliva, caem no chão. Outros animais, principalmente porcos, se alimentam dessas frutas e acabam tendo a doença”, acrescenta ele.

Sintomas

A Organização Mundial da Saúde indica que os sintomas da doença podem ser severos, como encefalites fatais, e que a letalidade chega a ser maior que 40% dos casos.

Entre os sintomas iniciais estão febre, dor de cabeça, dor muscular, vômitos e dor de garganta. O agravamento pode vir acompanhado de tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos que indicam encefalite aguda. Algumas pessoas também podem apresentar pneumonia e graves problemas respiratórios.

“Essas pessoas normalmente desenvolvem um quadro de encefalite, com queda do estado geral, febre, rebaixamento do nível de consciência e assim por diante. E realmente tem uma taxa de letalidade alta. Infelizmente, não existe vacina nem existe tratamento para esse vírus. O tratamento é simplesmente o tratamento sintomático”.

Disseminação

O infectologista aponta que mesmo que haja relatos de que o vírus também possa ser transmitido por secreções das pessoas infectadas, há um potencial menor de disseminação em nível pandêmico, se comparado a vírus de transmissão respiratória como os da covid-19 e do sarampo.

Apesar disso, Fonseca defende que a situação seja monitorada, porque o tempo de incubação do vírus permite que uma pessoa infectada faça viagens longas antes que os sintomas apareçam.

“Do momento da infecção até o aparecimento dos sintomas, demora em torno de quatro dias. É possível que uma pessoa se infecte na Ásia e venha para o Brasil, por exemplo, ou para outras partes do mundo, e desenvolva a doença. E ela pode transmitir a doença”.

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