terça-feira, novembro 3, 2026

EUA abatem drone do Irã perto de porta-aviões, e petroleiro é perseguido

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EUGOR GIELOW
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A três dias de cruciais negociações para evitar uma nova guerra no Oriente Médio, um drone de vigilância do Irã foi abatido por um caça F-35C americano aos se aproximar do USS Abraham Lincoln, o porta-aviões que é a mais vistosa peça do cerco militar montado por Donald Trump contra a teocracia.

O relato foi feito pela agência Reuters e confirmado pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, à Fox News. O navio estava no norte do mar da Arábia, próximo de Omã e a cerca de 800 km do Irã, onde opera desde a semana passada.

O drone abatido era do modelo Shahed-139, uma versão mais avançada do mais comum avião-robô iraniano, que não leva armas. Já o F-35C, versão naval do caça de quinta geração, é operado do porta-aviões e estava em patrulha.

Em outro incidente na região nesta terça-feira (3), seis lanchas armadas com metralhadoras de grosso calibre da Guarda Revolucionária iraniana perseguiram e tentaram abordar um petroleiro americano.

O navio estava no vital estreito de Hormuz, rota de 20% da produção de petróleo e gás liquefeito do mundo, que tem toda sua margem norte dominada pelo Irã.

Segundo as agências de segurança marítima UKTMO e Vanguard, o M/T Stena Imperative, que é de propriedade dinamarquesa mas usa bandeira dos Estados Unidos, deixava os Emirados Árabes Unidos rumo à base naval americana no Bahrein quando as lanchas se aproximaram.

Elas tentaram contato com rádio com a embarcação, mas acelerou a velocidade e a perseguição acabou. Segundo a Vanguard, o M/T Stena estava no corredor de águas internacionais de Hormuz, e não entrou nos domínios marítimos do Irã. O petroleiro pediu auxílio e, mais à frente, foi escoltado por um navio de guerra dos EUA.

Os incidentes elevam o nível de tensão no Golfo Pérsico, que havia baixado um pouco após a abertura diplomática entre EUA e Irã. Na sexta (6) está previsto o primeiro encontro direto entre delegações americana e iraniana em uma década, em Istambul.

Lidera a delegação americana o enviado de Trump Steve Witkoff, que nesta terça estava em Israel discutindo a crise com o Irã com o premiê Binyamin Netanyahu e a cúpula militar e de inteligência do Estado judeu.

Já os iranianos terão à frente o chanceler Abbas Araghchi. Mas mesmo este encontro já está sendo colocado em dúvida, segundo relatos na imprensa árabe e americana.

O site dos EUA Axios afirmou nesta terça que os iranianos querem mudar o local da reunião para o Omã, onde grupos dos dois países negociaram de forma indireta no ano passado, e defende vetar a presença de representantes de outros países, como a Turquia e de monarquias do Golfo.

Nesta terça, Araghchi, que vem defendendo negociações “sem pressão”, conversou sobre o tema com seus homólogos omani e turco, além de discutir a crise com o premiê do Qatar, país árabe com quem a teocracia tem boas relações.

A crise ganhou corpo a partir das grandes atos contra o regime islâmico instalado em Teerã desde 1979, na virada do ano. A mortífera repressão, que segundo ativistas matou mais de 5.000 pessoas, foi condenada por Trump, que prometeu ajudar os manifestantes.

Depois o americano refluiu, só para enviar o que chamou de “grande armada” para o Oriente Médio: o grupo de ataque do Abraham Lincoln, diversos navios de guerra, submarinos, aviões de ataque e de apoio. Uma vez com ativos militares mais preparados para agir, voltou a falar grosso.

Ameaçou atacar enquanto mudava o foco da demanda, dos protestos para o disputado programa nuclear dos aiatolás. Em junho, ao apoiar a guerra de 12 dias de Israel contra o Irã, Trump bombardeou instalações importantes para a eventual fabricação da bomba atômica.

A situação se acalmou numa trégua frágil, e não houve avanços para retomar algum tipo de negociação que impeça Teerã de ter a bomba. De 2015 a 2018, um acordo secundado pelos EUA e outras potências em tese trocou o abandono da pretensão pelo fim de sanções econômicas.

Trump deixou o arranjo, acusando ele de se leniente com os iranianos, e nem sob Joe Biden houve acordo. A crise provocada no Oriente Médio pelo ataque do preposto de Teerã Hamas a Israel em 2023 e, agora, as manifestações, recolocaram a vontade de Trump de derrubar o regime à mesa novamente.

Leia Também: Parlamentar britânico renuncia após vazamento de documentos do caso Epstein

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