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Ratinho Jr. e Caiado têm menos mulheres no 1º escalão que Zema e Eduardo Leite

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Mas a presença de mulheres segue ainda inferior à metade dos postos de liderança existentes e não chega a 40%. Em 16 cargos do primeiro escalão da gestão Zema, 6 são ocupados por mulheres, representando 37% da estrutura. No governo Leite, elas são 34%: 10 mulheres entre 29 postos.

O levantamento da reportagem considera apenas o quadro atual de nomeados no primeiro escalão, ou seja, ministras, secretárias ou equivalentes, como os comandos da Procuradoria-Geral do Estado e da Controladoria-Geral do Estado.

Ratinho Junior (PSD) e Ronaldo Caiado (PSD), governadores do Paraná e de Goiás, respectivamente, têm as piores proporções: 12% e 14%. No Paraná, as 3 mulheres entre 25 cargos ocupam a Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa; a Secretaria da Cultura e a Controladoria-Geral do Estado. As duas primeiras pastas foram criadas no segundo mandato.

Procurado para comentar, o governo paranaense mencionou a atuação de Eliane Carmona, que é diretora-presidente do Fundepar (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional), cargo que não foi incluído no levantamento. O Fundepar é responsável por obras, merenda e transporte da área de educação.

A gestão Ratinho Junior enfatizou ainda o fato de o governador ter indicado, ao longo de seu governo, quatro mulheres para cadeiras de desembargadoras do Tribunal de Justiça do Paraná.

Em Goiás, as 3 mulheres entre 21 cargos comandam as pastas da Cultura, Educação e Meio Ambiente. Procurado, o governo Caiado não comentou.

Caiado e Ratinho Junior, assim como Leite, são os três presidenciáveis do PSD. A definição sobre quem será o candidato do partido de Gilberto Kassab ao Planalto será anunciada até o final deste mês, mas a cúpula da sigla já indicou que deve ser o governador do Paraná.

“O número baixíssimo de mulheres (principalmente no caso de Paraná e Goiás) chama a atenção, mas tem um recorte interessante no caso do Rio Grande do Sul e de Minas, que é o perfil das escolhidas, mais técnico e profissional, mais fora do universo político”, avalia Nahomi Helena de Santana, diretora do Instituto Paranaense de Direito Eleitoral e mestre em direitos humanos e democracia pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Ela também observa que, tanto em Minas quanto no Rio Grande do Sul, as mulheres ocupam pastas com orçamentos robustos, de visibilidade. “A Priscilla Maria Santana, por exemplo, é uma servidora de carreira assumindo uma pasta complicada, pelo histórico de crises fiscais profundas”, comenta ela, em referência à secretária da Fazenda no Rio Grande do Sul.

À reportagem a gestão Leite afirmou que é o maior número de secretárias de Estado na história do Rio Grande do Sul. O ineditismo é tratado como um ativo pelo governo.

Já o governo Zema disse que vem ampliando “as oportunidades para elas em cargos de liderança, sempre pautado por critérios técnicos e de competência”.

O governo mineiro também destacou a presença de outros cargos ocupados hoje por mulheres que não estão contemplados no levantamento da reportagem. Ele cita a coronel Jordana Daldegan, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Minas; a delegada Letícia Reis, chefe da Polícia Civil; e Gabriela Siqueira, à frente da Ouvidoria-Geral do Estado.

A gestão Lula acrescentou que a participação feminina em cargos de direção e assessoramento passou de 34,9% em 2022 para 40,8% em janeiro deste ano.

Flávio Bolsonaro (PL) exerce mandato como senador pelo Rio de Janeiro. Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), manteve na maior parte do mandato apenas duas mulheres na Esplanada dos Ministérios, ou 9% da estrutura, considerando um desenho com 22 cargos de primeiro escalão.

Para Nahomi Helena de Santana, as barreiras encontradas pelas mulheres dentro de partidos políticos e no processo eleitoral devem ser consideradas entre os motivos que explicam a baixa presença de mulheres no primeiro escalão.

“São cargos geralmente utilizados em acordos políticos, eleitoreiros. Não estou dizendo que é errado, mas isso significa que eles já ficam amarrados às indicações dos partidos, a maioria controlados por homens”, analisa.

“Na esfera federal, desamarrar isso é mais difícil, por conta da forte relação com o Congresso Nacional. Lembro do caso da Ana Moser, que saiu do Ministério do Esporte para dar espaço a André Fufuca”, observa.

Leia Também: Bolsonaro apresenta melhora clínica, mas continua sem previsão de alta da UTI, aponta boletim

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