domingo, abril 26, 2026

Pesquisa avalia o que mais afeta a qualidade de vida do médico brasileiro; veja resultados

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Ó estresse percebido é o fator que mais afeta a qualidade de vida dos médicos brasileiros, de acordo com o Índice Afya MedQoL, primeiro levantamento nacional sobre o bem-estar desses profissionais. O estudo, realizado pela Afya e publicado na revista científica Jornal Médico Britânico Abertocontou com a participação de mais de 2 mil médicos de todas as regiões do País.

De acordo com Eduardo Moura, diretor do Research Center da Afya e um dos autores da pesquisa, o objetivo era medir a qualidade de vida e a saúde mental dos médicos brasileiros. Para isso, o trabalho contou com 2.005 profissionais que responderam questionários online aplicados entre julho e agosto de 2024.

O estudo focou na análise de três pontos principais: qualidade de vida global (percepção geral do profissional sobre a própria vida), apoio institucional (que avalia o clima organizacional e a segurança psicológica do local de trabalho) e o estresse percebido (que analisa o contexto do ambiente de trabalho, a pressão por atendimentos e a carga horária). Além da coleta de dados, os autores desenvolveram e validaram uma escala própria, a Afya MedQoL.

O estresse despontou como o aspecto que mais afeta os profissionais. Ele é mais acentuado entre mulheres, médicos em início de carreira e profissionais com cargas horárias semanais superiores a 60 horas, sendo este último ponto um grande destaque.

“A carreira médica é muito pressionada por expectativas. É um profissional altamente qualificado e bem remunerado, em relação à média nacional. Isso gera uma exigência natural para que o profissional sustente um alto padrão de vida, o que frequentemente resulta em cargas horárias muito superiores às de outras profissões. Outros estudos nossos apontam uma média de 52 a 54 horas semanais”, contextualiza Moura.

Apesar disso, o aumento salarial – entre médicos que recebem R$ 25 mil ou mais – não se traduz em melhor qualidade de vida, segundo o levantamento. Para o autor, esse dado indica que, em determinado momento, é preciso abrir mão de ganhos financeiros para preservar o equilíbrio e a saúde mental.

Sobre os médicos em início de carreira, Moura cita que eles, muitas vezes, assumem os postos de trabalho de maior atratividade. “Locais com menos recursos, mais periféricos e até mesmo com jornadas de trabalho mais intensas. Não por acaso são acometidos por mais estresse.”

Violência

De acordo com dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), a cada dia, nove médicos são vítimas de violência em estabelecimentos de saúde do Brasil. O levantamento considerou cerca de 38 mil boletins de ocorrência registrados entre 2013 e 2024 no País.

Os casos abrangem diversos problemas, como ameaça, lesão corporal, perturbação do trabalho, injúria ofendendo a dignidade, calúnia, difamação e furto.

A pesquisa não levou esse tipo de ocorrência em consideração, mas Moura destaca que a violência é amplamente relatada na literatura médica, tanto no Brasil quanto no exterior, e também pode influenciar a qualidade de vida dos profissionais.

Ele ressalta que o médico muitas vezes está em uma posição vulnerável perante o paciente, especialmente quando expectativas não são atendidas (como demora no atendimento ou negativa de atestado) e as unidades de saúde carecem de estrutura de segurança.

Como diminuir o estresse?

Além de evitar jornadas de trabalho acima de 60 horas, outro fator que pode ajudar é um maior apoio institucional. “O estresse é um balanço entre a exigência e a demanda de trabalho e os recursos disponíveis para dar conta dessa demanda”, cita o autor.

“Se você tem uma demanda maior, mas conta com uma estrutura de apoio que permite cumprir essas exigências – seja por ter uma equipe ou uma estrutura hospitalar adequada -, o impacto é diferente. Quanto maior o apoio institucional, maior o contrabalanceamento do estresse percebido”, continua.

A implementação de programas de acompanhamento psicológico e núcleos de suporte pode ajudar na prevenção de transtornos como burnout, ansiedade e depressão. Ações voltadas para alimentação saudável, prática de atividade física e o monitoramento constante do bem-estar dos profissionais também são estratégias preventivas eficazes.

Leia Também: Mulheres de 40 a 49 anos lideram compra de canetas emagrecedoras no país

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