O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, afirmou em depoimento à polícia que a arma utilizada no caso que terminou com a morte de Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, foi um presente recebido em 2013, período em que exercia o mandato. Segundo ele, o revólver calibre .38 teria sido dado após sofrer ameaças por “enfrentar o sistema”.
Durante o interrogatório, Bernal declarou que possui porte e registro da arma. Ao comentar sobre o contexto em que recebeu o armamento, fez referência ao personagem Capitão Nascimento, ao dizer que “o sistema é difícil”, em alusão à frase popularizada pelo filme ‘Tropa de Elite’.
Ainda conforme o depoimento, o ex-prefeito explicou que a arma é um revólver de cinco tiros e que a adquiriu legalmente, após cumprir as exigências para o registro.
Testemunha relata disparo direto contra vítima
O caso ocorreu na tarde desta terça-feira (24), em um imóvel localizado na Avenida Antônio Maria Coelho, na Capital. A principal testemunha, um chaveiro que acompanhava a vítima, relatou à Polícia Civil que Bernal chegou ao local já armado e efetuou disparos contra Mazzini.
De acordo com o depoimento, o serviço havia sido combinado no dia anterior, e ambos estavam próximos à porta da residência quando o ex-prefeito chegou em uma caminhonete. Ao descer do veículo, ele teria questionado a presença dos dois com xingamentos, sem dar tempo para resposta, e efetuado o primeiro disparo, fazendo a vítima cair.
Mesmo com Mazzini no chão, Bernal teria continuado a fazer ameaças e ordenado que o chaveiro deitasse com as mãos na cabeça. O trabalhador afirmou que obedeceu por medo e conseguiu deixar o local enquanto o suspeito ainda gritava com a vítima.
A testemunha disse ter presenciado apenas um disparo e não soube explicar quando ocorreu o segundo tiro. Segundo o relato, não houve qualquer tentativa de diálogo e o autor já teria chegado com a intenção de causar mal.
Defesa alega legítima defesa
Ao se apresentar à polícia, Alcides Bernal alegou ter agido em legítima defesa. Segundo a defesa, três pessoas teriam entrado no imóvel sem apresentar mandado judicial.
Diante da situação, ele afirmou ter efetuado disparos com a intenção de se proteger e conter os supostos invasores, alegando que não queria matar, mas atingir abaixo da linha da cintura. Ainda conforme os advogados, Mazzini não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
A residência onde o crime ocorreu havia sido adquirida pela vítima em um leilão, e ele foi até o imóvel para tomar posse, acompanhado apenas do chaveiro.
Após o ocorrido, Bernal se apresentou voluntariamente à polícia. O caso segue sob investigação.
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